Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 31 de maio de 2021
Incorporadoras de Hong Kong estão oferecendo um apartamento de US$ 1,4 milhão como prêmio para residentes que foram imunizados contra a covid-19, quando autoridades enfrentam resistência da população em se vacinar.
A Ng Teng Fong Charitable Foundation, unidade filantrópica do Sino Group, e a Chinese Estates Holdings estão oferecendo um apartamento totalmente novo em seu projeto Grand Central na área de Kwun Tong, disseram as empresas em comunicado.
Residentes de Hong Kong vacinados com duas doses são elegíveis para o sorteio, que premiará o apartamento de 42 metros quadrados. O Sino Group controla a Sino Land Co., incorporadora listada em Hong Kong.
Diante da baixa taxa de vacinação, o governo de Hong Kong estuda opções como doações de doses de vacinas não utilizadas, algumas das quais devem expirar em agosto. Autoridades disseram que o excedente pode prejudicar futuras compras de vacinas.
O governo de Hong Kong tem trabalhado para incentivar residentes a tomarem vacinas com medidas como reabertura de bares e redução do período de quarentena. Ainda assim, nesta semana a chefe do executivo de Hong, Kong, Carrie Lam, rejeitou a ideia de oferecer dinheiro ou incentivos desse tipo para aumentar a taxa de imunização em meio à alta demanda por vacinas no mundo todo.
Apesar de ser um dos poucos lugares a disponibilizar imunizantes para todos os adultos, apenas 12,6% da população de 7,5 milhões já foi totalmente vacinada, de acordo com o rastreador de vacinas contra a covid-19 da Bloomberg, muito abaixo do centro financeiro Singapura, com 28,3%.
Um apartamento grátis certamente é um chamariz em Hong Kong, onde os preços dos imóveis são os mais altos do mundo. Os valores de imóveis privados atingiram o maior nível em 21 meses em abril, segundo dados do governo.
Partes dos Estados Unidos promoveram loterias para incentivar a vacinação. Nova York, Ohio, Maryland, Kentucky e Oregon ofereceram prêmios para residentes vacinados.
Empresas
Quando os proprietários de bares e casas noturnas em Hong Kong se reuniram com autoridades da cidade neste mês, esperavam ouvir como o governo planejava persuadir uma maior parte da população a se vacinar, ao permitir a entrada apenas para pessoas vacinadas.
No entanto, foram as autoridades que perguntaram aos executivos o que fariam para ajudar a acelerar a campanha de vacinação contra a covid-19, uma das mais lentas entre as cidades globais.
“Eles apenas nos perguntaram se tínhamos alguma ideia ou planos para aumentar a taxa de vacinação”, disse Liu Wai, que representa o setor como presidente de associações de bares e casas noturnas.
Cerca de 20% das discotecas fecharam as portas nos cinco meses de suspensão das atividades e o restante gera apenas 10% da receita típica após a reabertura, disse, o que aumenta o desespero do setor para elevar a taxa de imunização.
A chefe do executivo, Carrie Lam, depende cada vez mais de empresas e instituições locais para ajudar na vacinação, enquanto seu governo apoiado por Pequim tenta convencer residentes relutantes em uma atmosfera de desconfiança após protestos generalizados contra a China em 2019.
Grandes empresas, restaurantes e até mesmo faculdades começaram a oferecer pagamentos em dinheiro, dias extras de folga e até a chance de ganhar um apartamento avaliado em US$ 1,4 milhão.
“As autoridades governamentais não conseguiram encontrar uma maneira de se envolver com a comunidade para criar um impulso para a vacinação”, disse Karen Grépin, professora associada da Escola de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong.
Mais empresas e instituições aceitam o desafio. Na semana passada, o aeroporto internacional da cidade anunciou que distribuirá 60 mil passagens aéreas para pessoas que forem vacinadas antes de setembro. O Jockey Club de Hong Kong oferece até três dias de folga especial remunerada e cobertura de seguro adicional para funcionários vacinados.
Até mesmo os reguladores estão se envolvendo. A Autoridade Monetária de Hong Kong instou bancos a concederem dois dias de licença remunerada para vacinação a seus funcionários, segundo informou o jornal Apple Daily na segunda-feira. A HKMA, que se recusou a comentar especificamente sobre as negociações, confirmou que fez o pedido para facilitar as imunizações.
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