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Brasil “Precisamos vacinar a população”, diz o ministro da Saúde sobre o fim da obrigatoriedade de máscara para vacinados

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Segundo o ministro, o uso do item deve se dar por meio da conscientização da sociedade. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, negou nesta quinta-feira (10) que desobrigará o uso de máscara facial neste momento para pessoas que já se vacinaram contra a covid-19. No entanto, a medida é estudada pelo ministério. Ainda não há data para que seja adotada, mas a expectativa dele é que seja em breve.

“Queremos que seja o mais rápido possível, mas precisamos vacinar a população”, afirmou o cardiologista.

Sem detalhar, o cardiologista disse que o presidente Jair Bolsonaro pediu um estudo sobre o relaxamento do uso de máscaras no país, a exemplo do que tem ocorrido em outros países. Contudo, negou que houvesse pressão do governo para adoção da medida.

“O presidente não me pressiona, não. Eu sou o ministro dele. Nós trabalhamos em absoluta sintonia”, disse Queiroga à CNN Brasil.

Nações que conseguiram controlar a pandemia por meio de vacinas têm flexibilizado as restrições. Os Estados Unidos, por exemplo, retiraram a obrigatoriedade do uso de máscara em locais públicos, exceto hospitais e transportes públicos, em 13 maio. No entanto, o país já se encontrava em ritmo avançado de vacinação e com imunizantes de maior eficácia em relação aos usados no Brasil. À época, 46% da população norte-americana havia recebido pelo menos a primeira dose.

O Brasil, no entanto, tem patinado na imunização e viu o ritmo de aplicação de doses desacelerar durante o mês passado em comparação a abril. Reduções sucessivas nas previsões para a distribuição de doses também impactam negativamente no combate à doença. Só para junho o governo já diminuiu a previsão de doses cinco vezes. Agora, são esperadas 37,9 milhões de doses para o mês ante as 56,5 milhões anunciadas em março.

Em meio a alertas de terceira onda e à detecção das variantes delta e beta, o Brasil registrou 2.344 mortes e 89.802 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas. De acordo com dados atualizados nesta quinta, mais de 482 mil vidas já foram ceifadas pela doença no País, que acumula 17,2 milhões de infectados.

Mais cedo, Bolsonaro declarou que o ministério desobrigaria o uso não só para vacinados, mas também para quem já se contaminou. O presidente, crítico ao lockdown e ao uso de máscaras, não explicou quando o parecer seria publicado nem deu detalhes.

“Por coincidência, olha a matéria para a imprensa, acabei de conversar com um tal de Queiroga. Ele vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados. Para tirar esse símbolo, que obviamente tem sua utilidade, para quem está infectado”, declarou Bolsonaro.

A medida contraria protocolos sanitários defendidos por cientistas para o combate à covid-19. O uso de máscara facial pode impedir a infecção pelo novo coronavírus ou, pelo menos, fazer com que a carga viral seja mais baixa. Pesquisas mostram que as vacinas protegem, sobretudo, contra mortes e casos graves de covid-19, mas não eliminam a possibilidade de transmissão.

Especialistas também argumentam que o contato entre pessoas imunizadas e que não receberam a vacina pode criar um ambiente propício para o surgimento de cepas que escapem à proteção vacinal. Essa é uma das hipóteses para o surgimento da variante gamma, descoberta em Manaus. Pesquisadores da USP e de Oxford mostra que 31% dos casos em janeiro foram reinfecções por essa mutação, mais transmissível que o coronavírus original.

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