Quinta-feira, 25 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 22 de agosto de 2021
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos ordenou que seis companhias aéreas forneçam aviões de passageiros para a operação de evacuação em Cabul, capital do Afeganistão. Segundo o Pentágono, as empresas de aviação civil terão de emprestar 18 aeronaves, sendo quatro da United Airlines, três da American Airlines, Atlas Air, Delta Air Lines e Omni Air e duas da Hawaiian Airlines.
Os aviões serão usados para transportar os americanos e aliados afegãos que chegam de Cabul em bases militares no Bahrein, no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. Dessa forma, as aeronaves civis não precisarão voar até o Afeganistão, que já registrou cenas dramáticas durante a evacuação, inclusive dois homens caindo de um avião militar dos EUA após a decolagem.
Depois da chegada no Oriente Médio, os evacuados são transportados para bases americanas na Europa e, por fim, até os Estados Unidos.
Segundo o New York Times, é apenas a terceira vez que o Pentágono ativa o dispositivo que obriga as companhias de aviação civil a fornecerem aviões ao governo. As duas primeiras foram nas guerras do Golfo (1990-1991) e do Iraque (2002-2003).
Mortes
Um funcionário da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse à agência Reuters que pelo menos 20 pessoas morreram no aeroporto de Cabul e em seus arredores desde 15 de agosto, quando o Talibã tomou a capital do Afeganistão.
O aeroporto está sob controle das tropas dos EUA, mas o grupo fundamentalista islâmico comanda todas as vias de acesso ao local. Um dirigente do Talibã, Amir Khan Muttaqi, culpou os Estados Unidos pelo caos.
“A América, com toda a sua potência, não conseguiu levar ordem ao aeroporto. Todo o país está em calma, o caos está apenas no aeroporto”, disse o extremista. No restante do Afeganistão, no entanto, já há diversos relatos de repressão do Talibã contra manifestantes e de buscas contra ex-colaboradores das forças de ocupação.
De porta em porta
Integrantes armados do Talibã vem constantemente batendo de porta em porta em cidades de todo o Afeganistão para orientar moradores assustados a voltarem ao trabalho, segundo testemunhas. Os militantes anunciaram que querem ressuscitar a economia combalida do país.
A destruição abrangente dos 20 anos de guerra entre forças governamentais apoiadas pelos Estados Unidos e o Talibã. A redução do consumo doméstico causada pela partida de tropas estrangeiras, uma moeda em queda e a falta de dólares estão alimentando a crise econômica afegã.
Em sua primeira coletiva de imprensa desde que tomou a capital Cabul, o Talibã prometeu paz e prosperidade e pareceu descartar as regras anteriores de proibição do trabalho feminino, mas muitas pessoas continuam desconfiadas.
Wasima, de 38 anos, disse que ficou chocada quando três membros do Talibã portando armas visitaram sua casa em Herat, cidade do oeste do país, na última semana. Eles anotaram suas informações pessoais, perguntaram sobre seu emprego em uma organização humanitária e seu salário e a instruíram a voltar ao trabalho, disse ela.
Doze pessoas disseram à Reuters que houve visitas não anunciadas do Talibã nas últimas 24 horas, de Cabul a Lashkar Gah, no sul, e Mazar-i-Sharif, no norte.
Além de incentivar as pessoas a trabalharem, algumas dela disseram ter sentido que as verificações pretenderam intimidar e instilar medo da nova liderança.
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