Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 8 de setembro de 2021
Analistas, entidades representativas e outras fontes avaliam que o início das tratativas do Uruguai com a China para um acordo de livre comércio em separado dos demais países-membros do Mercosul não preocupa o governo brasileiro. Até pouco tempo atrás, o próprio presidente Jair Bolsonaro defendia esse tipo de flexibilização.
Na área econômica em Brasília, a avaliação é que a posição uruguaia é a mesma do Ministério da Economia. A flexibilização sempre foi considerada um instrumento para modernizar o Mercosul, juntamente com a redução das tarifas de importação.
“Entendo que a iniciativa do Uruguai vai ao encontro do que vem defendendo o Ministério da Economia, qual seja a modernização do Mercosul, com maior flexibilidade negociadora para os países membros”, afirmou o secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz. Ele acrescenta:
“Trata-se de mais um exemplo de uma realidade que se impõe, diante da perda de dinamismo do bloco, observada ao longo das últimas décadas”.
Já o Ministério das Relações Exteriores do Brasil ainda não se manifestou: “Trata-se de anúncio preliminar do governo do Uruguai. Ainda não se vislumbram elementos concretos”.
Confederação Nacional da Indústria
Representantes do setor industrial brasileiro, por sua vez, pedem a união dos quatro países para melhorar as economias do bloco.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma nota, nesta quarta-feira, em que pede aos governos que aumentem o diálogo, com a participação dos segmentos produtivos. A entidade defende avanços no Mercosul, como a adoção de medidas concretas para garantir o livre comércio no Mercosul.
“Quanto aos acordos comerciais, a CNI defende que eles devem estar no centro da estratégia do Mercosul, priorizando países que seguem as regras internacionais de comércio e trazendo impactos positivos para a produção brasileira”, ressalta um trecho da nota.
Na última reunião de presidentes do Mercosul, há cerca de dois meses, o Uruguai comunicou aos demais membros que iniciaria conversas com países de fora do bloco para negociar acordos comerciais.
De acordo com a visão do governo da Argentina, esse caminho só pode ser tomado se houver consenso entre os sócios. Caso contrário, todos devem negociar acordos juntos.
O assunto voltou à tona nesta semana. De acordo com o jornal argentino “La Nación”, o presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, foi informado sobre os avanços nas negociações com chineses e outros parceiros comerciais por seu chanceler, Francisco Bustillo, na noite da última segunda-feira (6).
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