Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 12 de outubro de 2015
O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), perdeu o apoio dos que vinham lhe sustentando. Em nota divulgada no último sábado, os principais partidos de oposição pedem seu afastamento do cargo. Desde que se tornou alvo de investigação no STF (Supremo Tribunal Federal) por participação no esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, o pedido dos oposicionistas constitui a principal derrota de Cunha.
O comunicado vem assinado pelos líderes do PSDB, DEM, PPS, PSB e Solidariedade e defende o afastamento do cargo de presidente até mesmo para que ele possa exercer, de forma adequada, seu direito constitucional à ampla defesa.
Questionado nesse sábado sobre eventual saída do cargo caso líderes cobrassem o afastamento, Cunha disse simplesmente que se manteria no posto.
A situação de Cunha piorou na semana passada. Um dossiê entregue pelo Ministério Público da Suíça à PGR (Procuradoria-Geral da República) mostrou que o dinheiro de uma propina paga para viabilizar um negócio da Petrobras na África foi parar em contas secretas de Cunha e sua mulher, a jornalista Claudia Cruz.
Os documentos suíços mostraram que da conta em nome da mulher do deputado saíram recursos para o pagamento de despesas pessoais de 1,09 milhão de dólares (o equivalente a 4,1 milhões de reais) em sete anos, incluindo faturas de dois cartões de crédito e pagamentos a uma famosa academia de tênis na Flórida.
Dispostos a emplacar o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff no Congresso, que depende do aval do presidente da Câmara para tramitar, os oposicionistas se alinharam a Cunha e ofereceram sustentação política desde que ele se tornou alvo de inquérito no STF. Agora, porém, diante das evidências cada vez mais claras de que mentiu aos seus pares quando afirmou que não tinha contas no exterior, a situação de Cunha ficou insustentável.
Nos bastidores, deputados da oposição defendem que Cunha renuncie ao cargo de presidente da Câmara e, em troca, sugerem que não cassariam seu mandato, preservando sua representação parlamentar. Se ele perder o mandato e, consequentemente, o foro privilegiado, eventual investigação de novas denúncias será feita pela Justiça comum, e não mais pelo Supremo.
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