Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 18 de novembro de 2021
Dois homens que passaram décadas na prisão pelo assassinato do ativista pelos direitos civis dos negros norte-americanos Malcolm X em 1965 foram exonerados nesta quinta-feira (18) por uma juiza estadual de Nova York, após o procurador distrital de Manhattan afirmar que evidências haviam sido retidas no caso e pedir desculpas por “violações da lei e de confiança pública”.
A ministra da Suprema Corte Estadual Ellen Biben reverteu as condenações contra Muhammad Aziz, de 83 anos e Khalil Islam, que morreu em 2009. Os dois foram soltos em liberdade condicional nos anos 1980.
Aziz e dois dos filhos de Islam estiveram presentes no tribunal nesta quinta-feira.
O procurador Cyrus Vance disse à corte que novas evidências exculpatórias descobertas durante a investigação de dois anos deixaram claro que Aziz e Islam foram condenados erroneamente pelo assassinato de Malcolm X.
As evidências incluem documentos que os investigadores esconderam tanto da defesa quanto da acusação no caso de Aziz e Islam, de acordo com Vance. “Eu peço desculpas por essas violações inaceitáveis da lei e da confiança pública”, disse.
A corte foi tomada pelos aplausos enquanto Biben anulava as condenações, depois de dizer que lamentava que o tribunal não pudesse dar a Aziz e Islam os anos perdidos por conta das condenações equivocadas.
Malcolm X ganhou destaque como porta-voz nacional da Nação do Islã, um grupo muçulmano afro-americano que defendia o separatismo negro. Ele passou mais de uma década com o grupo antes de se desiludir, rompendo publicamente com o movimento em 1964 e moderando algumas de suas opiniões anteriores sobre separação racial.
Ele foi morto a tiros no Audubon Ballroom de Nova York enquanto se preparava para fazer um discurso. Três membros da Nação do Islã foram condenados pelo ataque.
Uma investigação de quase dois anos conduzida conjuntamente pelo promotor de Manhattan e advogados dos dois homens descobriu que promotores e agências de segurança negligenciaram evidências importantes que, se tivessem sido consideradas, provavelmente teriam levado à absolvição da dupla.
Em uma entrevista ao jornal The New York Times, Cyrus Vance se desculpou em nome da polícia, que disse ter falhado com as famílias dos dois homens, Muhammad Aziz e Khalil Islam.
“Isso aponta para a verdade de que as forças de segurança ao longo da história muitas vezes falharam em cumprir suas responsabilidades”, disse Vance. “Esses homens não receberam a justiça que mereciam.” As informações são da agência de notícias Reuters.
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