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Mundo Violência doméstica contra as mulheres é “quase satânica”, afirma o papa Francisco

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“O número de mulheres que são agredidas e abusadas em suas casas, por seus maridos, é muito, muito alto”, disse o papa. (Foto: Vatican News)

O papa Francisco disse que homens que cometem violência contra mulheres praticam algo “quase satânico”. O Pontífice fez o comentário, um de seus mais contundentes até hoje para condenar agressões, durante um programa da rede italiana de TV TG5, no qual ele conversou com três mulheres e um homem, todos vítimas de alguma forma de violência.

“O número de mulheres que são agredidas e abusadas em suas casas, por seus maridos, é muito, muito alto”, disse o papa em resposta a uma pergunta feita por uma das mulheres, chamada Giovanna. “Para mim, isso é quase um ato satânico porque o agressor toma vantagem de uma pessoa indefesa, que pode somente tentar escapar dos golpes. É humilhante, muito humilhante.”

Giovanna contou que ela cuida sozinha agora dos quatro filhos, após terem escapado de um lar violento.

Desde o início da pandemia de covid-19, há quase dois anos, Francisco se pronunciou diversas vezes contra a violência doméstica, que aumentou em muitos países, quando mulheres tiveram que ficar retidas em casa com seus abusadores.

Só na Itália, pelos cálculos da polícia, há cerca de 90 casos por dia de violência contra as mulheres, sendo que 62% deles acontecem dentro das casas.

O papa afirmou que as mulheres agredidas não perdem sua dignidade. “Vejo dignidade em você, porque se você não tivesse dignidade, não estaria aqui”, disse a Giovanna.

Ele ouviu ainda no programa os relatos de uma mulher sem-teto (Maria) que contou seu sofrimento na vida nas ruas e de um homem que tentava se reintegrar à sociedade após passar 25 anos na cadeia.

A Maria, que perguntou por que razão a sociedade é tão cruel para com os pobres, Francisco disse: “você fala de crueldade, é assim, esta é a bofetada mais dura da sociedade, ignorar o problema dos outros… Estamos entrando numa cultura da indiferença onde tentamos distanciar-nos dos problemas reais, da dor dos sem-teto, da falta de trabalho. Pelo contrário, com esta pandemia os problemas aumentaram porque batem à porta aqueles que oferecem dinheiro emprestado: os agiotas. Uma pessoa pobre, uma pessoa em necessidade, cai nas mãos dos agiotas e perde tudo, porque eles não perdoam. É crueldade e mais crueldade, digo isto para chamar a atenção das pessoas para não serem ingênuas; o agiota não é uma saída para o problema, o agiota traz novos problemas”. O Papa perguntou então a ela se, quando encontra uma pessoa que está em uma situação pior, vai dar-lhe uma mão. E depois da resposta afirmativa de Maria, ele acrescentou: “Quando se sofre, compreende-se a profundidade da dor. Tente sempre olhar de frente para os problemas porque haverá alguém que estará pior do que você e que precisa do seu olhar para seguir em frente”, disse o pontífice.

O papa criou serviços de assistência na área de entorno do Vaticano para oferecer serviços de saúde e de cuidados pessoas à população que vive em situação de rua.

Em 2020, quando um palácio próximo à Praça de São Pedro e onde funcionara um convento ficou vazio, ele ordenou que fosse transformado em abrigo, rejeitando a proposta de conversão em hotel de luxo. As informações são da agência de notícias Reuters e da assessoria de imprensa do Vaticano.

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