Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de janeiro de 2022
Depois que receber alta hospitalar, o presidente Jair Bolsonaro terá que solucionar um impasse político envolvendo a cúpula de seu partido, o PL, e um dos cargos mais concorridos entre aliados da base governista: a presidência do BNB (Banco do Nordeste).
Outro problema que Bolsonaro será obrigado a desenrolar com o PL é a situação da ministra Flávia Arruda (Secretaria de Governo), que é deputada federal eleita pela legenda. Responsável pela articulação política do governo, ela vem sendo alvo de ataques de deputados do Centrão, insatisfeitos com promessas de liberação de verbas que não teriam sido cumpridas.
O BNB será estratégico na condução do futuro programa de microcrédito que o governo vai lançar, de forte apelo popular, entre fevereiro e março.
Segundo o jornal Valor Econômico, fontes do governo dizem que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e lideranças da sigla têm expectativa de que, quando retornar das férias, o ministro da Economia, Paulo Guedes, nomeie o economista José Gomes da Costa para a presidência interina da instituição. É atribuição do ministro da Economia indicar o presidente do banco público.
Servidor de carreira do BNB há 38 anos, o economista José Gomes da Costa assumiu há um mês o cargo de diretor financeiro e de crédito da instituição. Ele é o segundo nome que dirigentes do PL tentam emplacar na presidência do banco. Em outubro, chegou ao gabinete de Guedes o nome de Ricardo Pinto Pinheiro, consultor do setor regulatório de energia e saneamento, mas a indicação foi rejeitada.
Porém, segundo fontes do governo, auxiliares do entorno mais próximo de Bolsonaro resistem à indicação porque Gomes da Costa teria vínculos com o PT. O último cargo de direção do economista no banco, antes de assumir a diretoria financeira em dezembro, foi a Superintendência do BNB na Bahia – Estado que representa, justamente, um feudo político do PT.
Coordenador da bancada do Nordeste, o deputado Júlio César (PSD-PI) disse ao Valor que “realmente houve essa indicação [de Costa]” para a presidência do BNB. Segundo o parlamentar, entretanto, houve um recuo em relação ao nome de Costa. “A indicação é do PL”, confirmou.
De acordo com o jornal Valor Econômico, auxiliares próximos a Bolsonaro estão divididos sobre Gomes da Costa. Uma ala acha que o presidente deve evitar o desconforto com Costa Neto, sobretudo às vésperas de uma turbulenta campanha à reeleição. Outros, porém, sustentam que não é possível nomear um antigo aliado do PT para o cargo.
No fim de setembro, Valdemar Costa Neto gravou um vídeo cobrando, publicamente, a demissão do então presidente do BNB, Romildo Carneiro Rolim. Três dias depois, a demissão de Rolim foi comunicada em fato relevante publicado pelo banco. Desde então, o presidente interino do banco é o diretor de Negócios, Anderson Possa.
“Não podemos ter uma ONG contratada num banco como o BNB”, criticou Costa Neto no vídeo divulgado no dia 27 de setembro.
O ataque foi direcionado ao Instituto Nordeste Cidadania, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), responsável, desde 2003, mediante termos de parceria, pela gestão do Crediamigo, programa de microcrédito urbano, no valor de R$ 583 milhões, e, desde 2005, pelo Crediagro, para a agricultura familiar, de R$ 358 milhões, com atuação em cerca de 2 mil municípios.
Na ocasião, o Inec divulgou uma nota de posicionamento público, afirmando que atende uma carteira de 2,5 milhões de clientes, realizando 20 mil operações diárias, sem remuneração. Informou que, anualmente, é auditado por empresas independentes e todas sempre atestaram a “regularidade” de seu trabalho junto ao BNB.
Em relação a Flávia Arruda, a ministra sofreu na terça-feira um ataque especulativo promovido por parlamentares da base. Na terça-feira, o jornal O Globo publicou críticas ácidas do líder do Republicanos na Câmara, Hugo Motta (PB), contra a ministra.
Ao jornal Valor Econômico, parlamentares do PP e do MDB também relataram queixas com relação à falta de entregas – embora alguns reconheçam que parte da culpa recai sobre o Orçamento curto, que impossibilita contemplar todos os aliados do governo.
As críticas alimentavam na terça-feira especulações de que o chefe de gabinete de Bolsonaro, Célio Faria Júnior, poderia assumir a Secretaria de Governo. Porém, alguns deputados afirmavam que, mais do que derrubar o ministro, o objetivo é o cumprimento das promessas dela.
Um ministro próximo a Bolsonaro, falando sob anonimato, diz também que tirar Flávia Arruda do cargo não é uma tarefa simples. Essa fonte nota que a ministra chegou ao cargo sob indicação do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e de Costa Neto. Esse é um problema que Bolsonaro terá que resolver quando retornar ao trabalho, após três semanas de férias e a internação em São Paulo. As informações são do jornal Valor Econômico.
Os comentários estão desativados.