Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 19 de outubro de 2015
Para tentar evitar um cenário de paralisia, o Palácio do Planalto vai orientar seus aliados no Congresso a trabalhar por um desfecho rápido da crise que atingiu o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A equipe da presidenta Dilma Rousseff avalia que o melhor é acelerar uma saída de Cunha do comando da Casa, costurando nos bastidores para que a presidência da Câmara continue com o PMDB.
Segundo assessores presidenciais, a situação de Cunha ficou insustentável com as novas revelações sobre suas contas na Suíça, mas o governo teme que o deputado consiga se manter no comando da Casa até o fim do ano.
Nessa hipótese, o Planalto teme que votações de seu interesse, como a renovação da DRU (mecanismo que desvincula receitas da União) e o Orçamento de 2016, fiquem paralisadas, contribuindo para agravar a crise econômica. O governo sabe que Cunha tentará resistir e seguirá ameaçando acatar um pedido de impeachment contra Dilma. Avalia, porém, que ele perdeu credibilidade para comandar o processo.
A expectativa é de que até a oposição passe, de forma mais veemente, a cobrar a saída do peemedebista para preservar a imagem da Câmara. O comando do PMDB também avalia como inevitável a saída de Cunha e já discute nomes para substituí-lo. O partido, que não pretende abrir mão na indicação para o posto, tem buscado uma alternativa “independente”, que possa favorecer um consenso entre os grupos da sigla favoráveis e contrários ao apoio do PMDB ao governo.
Para evitar que Cunha tenha controle do processo e faça um sucessor, a cúpula do partido pretende levar a discussão para a executiva nacional do PMDB, com as participações das bancadas na Câmara e no Senado. Se Cunha realmente renunciar, como é a aposta da maioria da legenda, quem assume é o vice, Waldir Maranhão (PP-MA). Ele teria cinco sessões para convocar novas eleições. O eleito assumiria o comando da Câmara pelo tempo que restaria a Cunha, ou seja, até janeiro de 2017.
O comando do PMDB sabe que o líder da bancada na Casa, Leonardo Picciani (RJ), irá pleitear o cargo, mas considera improvável que ele consiga apoio suficiente para viabilizar seu nome depois de ter batido de frente com os deputados para indicar dois ministros na reforma ministerial. (Folhapress)
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