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Economia Dólar fechou na terça cotado a 5 reais e 27 centavos, o menor valor desde setembro

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Na semana, a moeda norte-americana acumula valorização de 1,06%. (Foto: EBC)

Na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deverá trazer novo reajuste da taxa Selic (básica de juros), o dólar emendou sua quarta queda consecutiva e fechou em baixa de 0,62%, cotado a R$ 5,2728 nessa terça-feira (1º), no menor valor desde 16 de setembro. O recuo da moeda no exterior também ajuda a dar fôlego ao real. No mercado acionário, a Bolsa brasileira (B3) subiu 0,97%, aos 113.228,31 pontos, no maior nível desde 18 de outubro.

Na mínima do dia, o dólar bateu em R$ 5,2688, queda de 0,70% – nos últimos quatro pregões, o dólar acumula desvalorização de 3,09%. Uma vez mais, profissionais do mercado relataram fluxo externo de recursos para ativos domésticos e desmontagem de posições defensivas no mercado futuro – que ganham com a queda do real –, por parte de fundos locais e investidores estrangeiros.

Segundo operadores, seguem firmes os prognósticos de continuidade de entrada de capital estrangeiro, em especial para renda fixa, por conta dos juros mais elevados. A perspectiva amplamente majoritária é que o Copom anuncie amanhã novo aumento da taxa Selic em 1,50 ponto porcentual, para 10,75% ao ano, e deixe a porta aberta para, pelo menos, mais uma elevação. Já há uma ala considerável de casas que prevê taxa básica no nível de 12% no fim do atual ciclo de aperto monetário.

Mesmo com entrada líquida de mais de R$ 20 bilhões para o mercado doméstico de ações em janeiro, a expectativa é de que mais dinheiro de fora venha para o Brasil, em meio ao movimento de rotação global de portfólio que favorece mercados “descontados” e o setor de commodities.

Caso não haja uma valorização intensa da moeda americana no exterior, na esteira de uma postura mais dura do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), ou notícias muito negativas nos quadros político e fiscal doméstico, analistas acreditam que o real pode continuar a se valorizar no curto prazo.

“Tem espaço para o dólar voltar a níveis perto de R$ 5, se mantida a tendência de valorização das commodities e fluxo externo, além do cenário interno menos turbulento”, afirma o head de câmbio da Acqua-Vero Investimentos, Alexandre Netto, ressaltando que a moeda brasileira estava muito depreciada e agora se sobressai entre seus pares emergentes. “Certamente, um novo aumento da taxa Selic em 1,5 ponto vai deixar o carry trade ainda mais atraente e ajudar o real.

A economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, também vê a possibilidade de Selic ainda mais elevada como um dos fatores primordiais para o tombo recente do dólar, ao lado da entrada de recursos para a Bolsa brasileira. “Diante do acirramento da inflação, o Banco Central tem reforçado uma postura mais dura. O dólar caiu de R$ 5,70 em fins do ano passado para menos de R$ 5,30, mas ainda está em um patamar muito elevado, o que não traz um alívio tão intenso para a inflação”, afirma.

No exterior, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis divisas fortes – operou em baixa, com perdas mais significativas frente ao iene e à libra. O mercado espera as decisões de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE), nesta quinta (3).

Bolsa

O Ibovespa abriu fevereiro como encerrou janeiro, no positivo mesmo quando o sinal de Wall Street divergia, enquanto a B3 segue beneficiada pelo fluxo externo em busca de descontos. Na máxima do dia, o índice subiu aos 113.302,13 pontos – na semana, avança 1,18% e, no ano, 8,02%. Em Nova York, o Dow Jones teve alta de 0,77%, o S&P 500, de 0,68% e o Nasdaq, de 0,75%.

Com Nova York se firmando no positivo na reta final da sessão, o Ibovespa voltou a acentuar ganhos, mais perto de 1% e retomando o nível de 113 mil pontos para o fechamento, não muito distante da máxima do dia. “O ciclo de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos continua a gerar cautela. As vagas de emprego em aberto nos Estados Unidos em dezembro vieram com níveis bastante elevados, abrindo espaço para postura ainda mais dura para o Fed”, diz Dennis Esteves, especialista em renda variável da Blue3.

Nessa terça, as ações de mineração e siderurgia foram bem hoje, com Vale em alta de 5,49%, Usiminas, de 3,88% e CSN, de 5,05%. As ações da Petrobras também tiveram desempenho positivo, com a ON em alta de 2,95% e a PN, de 2,01%.

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