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Mundo Falso médico é julgado por infectar mais de cem pessoas com HIV

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Yem Chhrin, de 53 anos, reutilizava seringas para tratar pacientes em vilarejo no Noroeste do Cambodja. (Foto: AP)

Iniciou nessa terça-feira o julgamento de Yem Chhrin, 53 anos, médico não licenciado acusado de infectar mais de cem pessoas com o vírus HIV em vilarejos no Noroeste do Cambodja. Ele responde por três homicídios, disseminação intencional do vírus e prática ilegal da medicina. Se condenado, poderá pegar a prisão perpétua.

O julgamento está sendo realizado em uma Corte provincial na cidade de Battambang, e deverá durar cinco dias. Chhrim foi preso em dezembro de 2014, e está desde então sob custódia para sua própria segurança, temendo vingança dos residentes do vilarejo Roka. Lá, de 800 pessoas que se submeteram ao teste, 106 eram soropositivas. Desses infectados, ao menos dez pessoas já morreram. Estimativas apontam que o número total de contaminados poderá superar 300 pessoas.

O Cambodja é um dos países mais pobres do mundo, e os serviços de saúde são inadequados. Moradores de pequenos vilarejos muitas vezes dependem de médicos não licenciados, que aprendem sozinhos a tratar pequenas doenças e dar injeções. No caso de Chhrim, ele não esterilizava as agulhas, o que disseminou o vírus.

O falso médico tinha boa reputação entre os moradores do vilarejo, apesar da falta de certificação. “Se era dia ou noite, se o paciente tinha ou não dinheiro, Chhrim tratava a todos”, disse Chay Savom, uma mulher de 60 anos que foi infectada pelo vírus.

De acordo com o advogado de Chhrim, seu cliente tinha conhecimento de que estava reutilizando siringas, mas não tinha intenção de transmitir o vírus mortal para seus pacientes. (AG)

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