Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de novembro de 2015
Acusado pela Procuradoria-Geral da República de ter recebido ao menos 5 milhões de dólares do esquema de corrupção na Petrobras, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alegará em sua defesa no Conselho de Ética que desconhecia a origem do depósito de 1,3 milhão de francos suíços feito em 2011 em um fundo seu na Suíça e que todo o dinheiro que tem fora do País é fruto de venda de carne enlatada para a África e de operações no mercado financeiro.
Antes de entrar na vida pública, no começo dos anos 1990, Cunha descobriu um filão: a venda de carne enlatada em consignação para países africanos. Como o negócio cresceu, ele decidiu, segundo sua defesa, abrir uma conta fora do Brasil. O parlamentar afirma ainda que amealhou a parte maior do seu patrimônio com “operações de inteligência”.
Ele dirá que “não reconhece” como seu o montante depositado “à sua revelia” em 2011 pelo lobista João Henriques, que era ligado ao PMDB e foi preso na Operação Lava-Jato. O parlamentar suspeita, porém, que o depósito seria o pagamento de um empréstimo feito por ele ao ex-deputado Fernando Diniz, seu amigo, que morreu em 2009. Segundo o presidente da Câmara, a dívida teria “morrido junto com Diniz”. Em depoimento à Polícia Federal, Henriques disse que enviou o dinheiro a pedido de Felipe Diniz, filho do ex-deputado, e que não sabia quem era o beneficiário. (AE)
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