Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de dezembro de 2022
Uma das maiores operadoras de planos de saúde do país, com quase 800 mil beneficiários, a Unimed-Rio acumula pagamentos em atraso junto a hospitais e laboratórios, incluindo repasses para outras unidades do sistema Unimed, afirmam entidades e profissionais do setor.
Só com Unimed Leste Fluminense e Unimed Nova Iguaçu, esses débitos atrasados somam mais de R$ 65 milhões, afirma Marcus Quintella, presidente da Associação de Hospitais do Estado do Rio de Janeiro (AHERJ).
A entidade vai pedir que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) libere R$ 90 milhões da Unimed-Rio – que ficam depositados junto à autarquia como provisão para garantir a assistência de beneficiários – para serem usados na quitação da dívida da cooperativa com os hospitais.
Na segunda-feira, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça, deu 72 horas para a cooperativa de saúde carioca prestar esclarecimentos “sobre reiteradas condutas abusivas ao consumidor”. Desde julho, ela é a que mais tem queixas na ANS.
“As operadoras pagam os hospitais em um prazo médio de 90 dias. A Unimed-Rio tem neste momento atrasos de quatro a seis meses, além desses 90 dias, e com outras unidades Unimed no estado. As dívidas com hospitais por atendimento prestado a clientes da Unimed-Rio pela Unimed Leste Fluminense chegam a R$ 50 milhões. Com a Unimed Nova Iguaçu, a R$ 15 milhões”, diz Quintella.
Pressão dos credores
Operadoras vêm pressionando a ANS pela liberação dessas provisões no pós-pandemia. Após período focado na Covid-19, argumentam que a retomada de procedimentos represados fez o custo disparar. Uma reunião na agência deve discutir o tema hoje. A própria Unimed-Rio estaria pleiteando essa liberação junto à ANS, diz Quintella:
“Vamos encaminhar uma carta à agência pedindo que esses recursos sejam liberados diretamente para os credores, sem passar pela Unimed-Rio, que teria 30 meses para recompor essa reserva junto à ANS. Seria uma boa saída. Esse é um ativo garantidor, ou seja, para garantir o atendimento ao segurado. Pagaria os hospitais, evitando bloqueios no atendimento.”
A Unimed-Rio também não pagou faturas das redes D’Or e Dasa, segundo o colunista do jornal O Globo Ancelmo Gois. A Rede D’Or não comentou. A Dasa disse que não comenta acordos comerciais com parceiros e que está “em constante negociação”.
Em junho, a Unimed-Rio foi uma das dez operadoras notificadas pela Senacon por indícios de reajustes abusivos. As investigações ainda estão em andamento e podem gerar processo administrativo e multa. As informações são do jornal O Globo.
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