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Geral Lula diz que não decretou operação de Garantia da Lei e da Ordem porque “aí, sim, estaria acontecendo o golpe que as pessoas queriam”

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Declaração de Lula foi feita em um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto. (Foto: Ricardo Stuckert)

Em um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou clara a desconfiança que ainda nutre em relação às Forças Armadas, depois dos atos de vandalismo promovidos no último dia 8 em Brasília (DF) por extremistas radicais. Lula disse não ter decretado uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) porque “aí, sim, estaria acontecendo o golpe que as pessoas queriam”.

A GLO, prevista na Constituição, pode ser decretada pelo presidente da República quando há situação grave na ordem pública e é conduzida pelas Forças Armadas. Lula preferiu, em vez disso, decretar intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal, que no dia dos ataques tinha como secretário Anderson Torres, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro. Torres teve a prisão determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes após os atos em Brasília. Vindo dos EUA, onde estava, o ex-ministro chegou ao Brasil na manhã deste sábado (14) para se entregar à Polícia Federal. A suspeita é que Torres, em conjunto com setores da Polícia Militar do DF e de militares, tenha atuado para facilitar a ação dos manifestantes. O ex-ministro nega.

O café durou cerca de uma hora e meia. Lula falou inicialmente durante 36 minutos, antes de responder a cinco perguntas de jornalistas. Em boa parte do tempo, o presidente externou sua insatisfação com a atuação da Polícia Militar e das Forças Armadas, que, segundo ele, têm integrantes “coniventes” com os vândalos e que abriram as portas dos palácios para os depredadores entrarem. Ele chegou a dizer que não tem um ajudante de ordens – assessor militar que carrega a pasta e faz serviços pessoais para o presidente – porque não quer ter uma pessoa na porta da sua sala que pode lhe dar um tiro.

O presidente fez fortes críticas também a Bolsonaro, por não reconhecer a derrota nas eleições e contestar o sistema eleitoral. Atribuiu o comportamento do antecessor a um “desequilíbrio mental”. Lula acusou Bolsonaro de “poluir” as Forças Armadas e tratar o Exército “como se fosse uma coisa dele”. Disse, no entanto, querer “voltar a ter um relacionamento respeitoso” com os militares.

Lula afirmou ainda que o ministro da Defesa está mantido no cargo. José Múcio vem sofrendo uma fritura por parte de aliados do presidente por haver menosprezado o potencial destrutivo dos manifestantes que pediam golpe em frente aos quartéis. Lula, no entanto, não escondeu julgar que o ministro errou no episódio.

O presidente disse ver os atentados do dia 8 como “um alerta muito grande”. E contou ter pedido a Paulo Pimenta, ministro da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), que crie uma “narrativa para que a gente restabeleça a paz, a tranquilidade e a harmonia neste país”.

Lula dedicou pouco tempo de sua fala no café ao mercado. Mas, quando tratou do tema, o fez de forma crítica. Ao defender o papel do Estado na economia, disse que “o mercado construiu uma narrativa de que tudo o que você faz no Brasil que não seja pagamento de juros é gasto”. Horas depois, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad divulgou um pacote de medidas econômicas com pouca ênfase em corte de gastos. As informações são do jornal Valor Econômico.

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