Sexta-feira, 19 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de janeiro de 2023
Maior vencedor da história da Fórmula 1, com sete títulos (ao lado de Michael Schumacher), Lewis Hamilton contou, em entrevista a um podcast, episódios de racismo que ele enfrentou durante sua infância. Em um dos mais marcantes, bananas foram jogadas nele enquanto ele era xingado, o que fez ele definir boa parte do tempo em que esteve na escola como “traumatizante”.
O heptacampeão mundial de Fórmula 1, que cresceu em uma cidade perto de Londres, detalhou o abuso racial no podcast On Purpose, publicado na segunda-feira. O piloto de 38 anos, que está se preparando para sua 17ª temporada na F1, afirmou que, para ele, “a escola foi a parte mais traumatizante e difícil da vida”.
“Eu já sofria bullying aos seis anos de idade. Naquela escola em particular, eu era uma das três crianças negras, e apenas crianças maiores, mais fortes e valentonas me atacavam a maior parte do tempo. E os golpes constantes, as coisas que são jogadas em você, como bananas, ou pessoas que usariam a palavra com ‘N’ tão tranquilas. Pessoas te chamando de mestiço, e sem saber onde você se encaixa. Isso para mim foi difícil”, detalha o atleta.
O piloto britânico revelou sentir que o “sistema” estava contra ele, acrescentando que suprimiu “muitas coisas” ao longo da vida adulta.
“Na minha escola [secundária], havia seis ou sete crianças negras entre 1.200, e três de nós éramos colocados fora da sala o tempo todo. Eu não achava que poderia ir para casa e dizer aos meus pais que essas crianças continuaram me chamando com palavrões, ou que fui intimidado ou espancado na escola hoje”, disse ele, complementando. “Eu não queria que meu pai pensasse que eu não era forte.”
Hamilton continua sendo o único piloto negro da F1. Ele criou o projeto Mission 44, que visa melhorar a vida de pessoas de grupos subrepresentados, e a Ignite, uma empresa conjunta com sua equipe Mercedes para melhorar a diversidade no automobilismo.
O piloto britânico, que terminou em sexto na classificação de 2022, está entrando no último ano de seu contrato com a Mercedes, mas espera-se que ele assine um novo contrato em breve. Sobre a vida após a F1, Hamilton acrescentou no podcast, gravado em novembro, que ia ser “muito, muito difícil quando parar de correr”.
“Eu faço isso há 30 anos. Quando você parar, o que vai acontecer para combinar com isso? Nada se compara a estar em um autódromo, estar em uma corrida, estar no auge do esporte e estar na frente do grid ou passar por aquela emoção que sinto com isso. Quando eu parar, haverá um grande buraco, então estou tentando me concentrar e encontrar coisas que possam substituir isso e ser igualmente gratificantes”, concluiu.
Hamilton revelará seu novo Mercedes no lançamento da equipe em Silverstone, em 15 de fevereiro, antes da primeira corrida da nova temporada, no Bahrein, em 5 de março. As informações são da agência de notícias AFP.
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