Quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 10 de fevereiro de 2023
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República emitiu nota, na quinta-feira (9), afirmando que nenhuma linha de crédito rural do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) foi fechada.
Embora o comunicado diga que as linhas foram restabelecidas agora com a disponibilização de R$ 2,9 bilhões, após suspensões ocorridas em outubro de 2022 por falta de recursos, segundo o jornal Valor Econômico, esses programas já foram suspensos novamente e estão com protocolos para pedidos de financiamentos fechados no momento.
A nota do governo diz que as linhas foram reabertas em janeiro e que a nova diretoria do BNDES priorizou a alta demanda dos produtores e cooperativas, viabilizando R$ 2,9 bilhões de “recursos adicionais”. O BNDES, no entanto, informou ao Valor que a reabertura ocorreu no dia 1º de fevereiro e que os recursos disponibilizados eram de saldos remanescentes dessas linhas, e não adicionais.
“Estes recursos disponibilizados em 01/02/2023 são saldos remanescentes do Plano Agrícola e Pecuário 2022/23”, disse o banco em resposta ao Valor. A instituição acrescentou ainda que “no dia 03/02/2023, às 12h, os programas que ainda permanecem com protocolos abertos para novas operações são: Moderagro, ABC Ambiental e algumas linhas do Pronaf”.
No dia 2 de fevereiro, o BNDES enviou comunicado aos bancos credenciados informando a suspensão de nove linhas ou programas de crédito rural, apenas um dia após a reabertura, como custeio empresarial, Pronaf, Pornamo, ABC+, PCA, Proirriga e Procap-Agro Giro. No dia 6 deste mês, a instituição enviou novo aviso, comunicando o encerramento do Inovagro e do Moderfrota.
“A procura por crédito foi muito acima do volume disponível no momento, fator que ocasionou o rápido consumo dos recursos pelo setor, dada a total escassez herdada pelo governo atual. Um novo ciclo de abertura de crédito começará, logo que novos recursos estejam disponíveis”, admitiu a Secom, na nota.
A suspensão das linhas virou combustível para guerra de narrativas entre governo e oposição. Inicialmente, governo atribuiu à nova gestão do BNDES a reabertura das linhas. Na prática, o BNDES suspendeu as linhas ainda em 2022 (algumas ainda em agosto), por conta do alto nível de comprometimento dos recursos.
Segundo a política de compliance da instituição, a suspensão ocorreu porque o conjunto de programas de crédito agropecuários sujeitos à equalização do Tesouro Nacional estavam com comprometimento acima de 80%. O banco, no entanto, analisa as operações que não são concretizadas e realiza eventuais saldos remanescentes que ainda possam ser financiados – o que ocorreu agora, com a liberação dos R$ 2,9 bilhões para novos contratos de investimentos.
Deputados da bancada ruralista e lideranças do setor tentaram vincular essa suspensão à uma falta de priorização do governo ao financiamento do agronegócio. Publicações expuseram ainda a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de financiar operações com países vizinhos e a “falta de recursos” para o setor produtivo. O esgotamento, no entanto, diz respeito aos valores alocados no Plano Safra 2022/23, definido pelo governo passado. As informações são jornal Valor Econômico.
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