Quinta-feira, 25 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 9 de junho de 2023
Os sinais de alívio na inflação corrente e a melhora na percepção sobre as contas públicas, resultante do novo arcabouço fiscal e de um crescimento econômico mais forte, abriram espaço para o entusiasmo dos participantes do mercado e refletiram, em especial, numa queda relevante dos juros futuros neste ano. As taxas de médio e de longo prazos alcançaram, nesta semana, os menores níveis desde dezembro de 2021, em um movimento que também afetou os juros de vencimentos mais curtos, diante da sensação crescente de que a Selic pode começar a cair já em agosto e ficar abaixo de 10% em 2024.
O processo de descompressão dos prêmios de risco no mercado de juros começou a ganhar corpo de forma mais expressiva desde a apresentação da proposta de arcabouço fiscal do governo. Da máxima do ano até o pregão de quarta-feira, a taxa do DI para janeiro de 2029 caiu 2,69 pontos percentuais, passando de 13,62% em 2 de março para 10,93%. Ao mesmo tempo, a diferença em relação aos juros americanos de longo prazo diminuiu, o que ajuda a ilustrar o processo de retirada de parte do prêmio de risco que estava embutido nos ativos brasileiros.
“Vimos um movimento muito relevante de queda das taxas desde o fim de março, que fez o Brasil ir na contramão de outros países. Havia um pessimismo muito grande, principalmente na parte fiscal, mas, desde que o arcabouço foi lançado, os cenários de cauda que o mercado estava precificando foram afastados, apesar de o projeto não ser um primor”, diz o sócio e gestor dos fundos multimercado e de renda fixa do Bahia Asset Management, Thiago Mendez.
Se o arcabouço fiscal deu o pontapé inicial para o forte alívio visto no mercado de juros, a melhora da dinâmica inflacionária ajudou as taxas futuras a romperem níveis importantes. Não por acaso, parte da curva de juros já opera na casa dos 10%. “O Brasil teve um choque positivo de oferta com uma safra de grãos recorde, o que garante uma melhora na inflação à frente. Um dos grandes destaques nos últimos meses junto com a reprecificação do risco fiscal foi a melhora na perspectiva inflacionária.”
E é com base no contexto de um processo de desinflação que tem se materializado que o estrategista-chefe para mercados emergentes do Deutsche Bank, Drausio Giacomelli, já via espaço para uma redução nos prêmios dos juros de longo prazo. Ele também continua a ver algum potencial para queda adicional das taxas. “Nossa premissa era que a inflação começaria a ceder, em grande parte porque os gargalos de produção estavam normalizando. Os preços internacionais caíram bastante. E, apesar do PIB do primeiro trimestre ter sido muito forte, nossa leitura é de que foi muito pelo lado da oferta.”
Com juros em níveis muito elevados anteriormente, Giacomelli observa que o prêmio exigido pelos mercados “parecia exagerado”. “As taxas estavam perto de 13%, ao mesmo tempo em que nós pensávamos que deveriam estar próximas de 10%. Essa diferença de 3 pontos percentuais parecia excessiva. Hoje ainda há um pouco de prêmio no mercado, mas é bem menor”, afirma o estrategista.
O alívio no front inflacionário ajudou a corroer boa parte dos prêmios que eram exigidos pelos agentes na curva de juros. Divulgado na quarta-feira, o IPCA de maio foi mais um indicador que ajudou a desenhar um cenário de desinflação mais intenso que o projetado até então pelo mercado. Não por acaso, a discussão sobre se há espaço para uma queda adicional dos juros de mercado se intensificou.
Com a ajuda da inflação corrente e a torcida no mercado para que o Conselho Monetário Nacional (CMN) mantenha o centro da meta de inflação em 3%, têm ganhado força as apostas de que a Selic pode começar a ser reduzida já em agosto. O ritmo do ciclo de desaperto monetário, assim, começa a entrar no debate e faz com que alguns players do mercado ajustem suas posições nos juros de curto prazo.
É o que revela Renato Junqueira, sócio e gestor da Gap Asset, ao apontar que a estratégia da casa, neste momento, está mais na aposta de um corte na Selic mais agressivo do que o precificado na curva de juros no momento. No fechamento de quarta-feira, o mercado embutia nos preços cerca de 80% de chance de uma redução de 0,25 ponto percentual no juro básico em agosto. Assim, Junqueira tem posições aplicadas nos juros de curto prazo, de até um ano.
Na avaliação do profissional, o BC pode surpreender pela rapidez na redução dos juros. “Se começar em agosto, acho que já pode iniciar com uma redução de 0,5 ponto. Vai depender dos dados, mas temos uma visão benigna, tanto de a inflação convergir [para a meta] quanto de a inflação sentir algum aperto”, diz Junqueira. As informações são do jornal Valor Econômico.
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