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Celebridades O incrível assassinato de Daniella Perez por um casal de jovens também famosos está completando 23 anos e o mistério de tanto ódio continua

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Corpo da atriz foi encontrado com 16 perfurações, oito delas no coração. (Crédito; Reprodução)

Os caras-pintadas tinham tomado as ruas, e o País esperava o desfecho do processo de impeachment que o presidente da República enfrentava. O cenário político estava em ebulição, e a possível renúncia de Fernando Collor de Mello dominava as conversas. Mas, em 29 de dezembro de 1992, quando Collor abdicou do cargo, o assunto que corria de boca em boca era outro: o crime da novela das oito. Naquele dia, o Brasil descobria, atônito, que a atriz Daniella Perez, encontrada morta na noite anterior, em um matagal no Rio, com 16 perfurações, oito delas no coração, tinha sido assassinada por Guilherme de Pádua, seu par romântico no folhetim “De Corpo e Alma”, da TV Globo.

Pouco depois, veio à tona o envolvimento de Paula Thomaz, a mulher do ator. Grávida de quatro meses, ela também teria participado do ataque, demonstrando que a realidade, por vezes, pode ser mais rocambolesca do que a ficção.

Nas primeiras horas após o crime, polícia e parentes acreditavam que a atriz tinha sido vítima de assalto. A pochete que Daniella levava, com 6 mil dólares que ela daria de entrada em um carro novo, sumira. Confiante de que o caso seria tratado como latrocínio, Pádua, um ator mediano, desempenhou com maestria o papel de colega em estado de choque. Foi ao local onde cometeu o assassinato e deu um abraço apertado na mãe da vítima, Glória Perez, autora da novela. Fez também questão de consolar o viúvo, Raul Gazolla. “Força, cara, força!”, repetia para Gazolla.

Advogado anotou placa do carro do ator.

A encenação tinha tudo para dar certo, não fosse o aparecimento de outro personagem: o advogado Hugo da Silveira. De férias no Rio, ele estranhou quando viu um Santana e um Escort parados em uma rua deserta. Ressabiado por causa de assaltos na região, ele emparelhou seu carro com os que estavam estacionados e viu um casal dentro do Escort. Como achou tudo estranho – o lugar era ermo, ninguém pararia ali para namorar –, anotou a placa do Santana, única visível, e telefonou para a polícia. Pádua acabou confessando.

E, como outros tantos assassinos, tentou culpar a vítima. O nome de Paula apareceu depois na investigação. O ator só envolveu a mulher no julgamento.

Até hoje ainda é um mistério o motivo de tanto ódio do casal contra Daniella e ninguém sabe qual é a história verdadeira. Embora Pádua tenha sempre afirmado que o crime não foi premeditado, o desembargador José Muiños Piñeiro Filho, promotor do caso, diz ter certeza de que o casal planejou o assassinato, motivado por diferentes razões. Paula, com um ciúme doentio, o nome dele tatuado na virilha, enxergava em Daniella uma ameaça e exigia o fim da rival. O ator, por sua vez, incomodado com a redução de suas cenas na novela, pensava que a morte de seu par romântico no folhetim traria dois benefícios: botaria um ponto final nas reclamações da mulher – semanas antes, ele tinha, como prova de amor, tatuado o nome de Paula no pênis – e faria todos os holofotes brilharem em sua direção. Seria coroado como último parceiro da atriz.

Cinco anos depois do crime, a tese da promotoria, de que Pádua cometeu o homicídio, com participação de Paula, por motivo torpe e sem possibilidade de defesa da vítima, venceu. Ele foi condenado a 19 anos de prisão e Paula, cinco meses depois, a 16 anos. Ambos foram soltos após cumprirem um terço da pena.

Quase 23 anos depois do crime, Glória reúne material do caso e pretende escrever um livro sobre o caso. (AG)

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