Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de setembro de 2023
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse que a barra para acelerar o ritmo de cortes da taxa Selic, atualmente de 0,5 ponto porcentual, está “ligeiramente mais alta” agora. Desde agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) vem indicando que vê o ritmo de 0,5 ponto a cada reunião do colegiado como adequado e que é pouco provável acelerá-lo.
Entre os fatores que explicariam essa barra “ligeiramente mais alta” estão os acontecimentos recentes no cenário externo. Campos Neto mencionou o aumento da curva de juros nos Estados Unidos, destacando que há consequências para os países emergentes, como o Brasil. “Empresas boas americanas têm tido emissões de crédito saindo com 6,5% a 7,5% de juro. É dreno de liquidez (que iria) para os emergentes.”
Segundo o presidente do BC, boa parte dos analistas não avalia que as preocupações fiscais nos EUA explicam esse movimento do juro longo, mas, se assim fosse, conforme Campos Neto, o formato da curva seria outro. “Se fosse só a indicação de que as taxas de juros vão ficar altas por mais tempo, o formato não seria esse”, disse ele, em relação à estratégia de política monetária nos Estados Unidos.
Outra razão que pode explicar o aumento da curva de juros americana, disse ele, é um tema mais técnico, relacionado à China, que tem feito intervenções no mercado vendendo títulos do Tesouro americano. Campos Neto ainda disse que, no cenário externo mais incerto, há a discussão sobre o crescimento chinês. “Parece que há uma mudança de modelo, de passar de infraestrutura para inovação e consumo, o que pode fazer com que o crescimento fique mais baixo por mais tempo”, acrescentou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Os comentários estão desativados.