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Brasil Organizações LGBTQIA+ lamentam recuo do governo, que voltou a exigir a declaração do sexo no documento de identidade

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Em maio, grupo de trabalho do governo federal havia optado pela retirada do campo 'sexo' e unificação dos campos de 'nome' e 'nome social', no entanto, regra não foi aplicada.

Foto: Divulgação
Associação que representa pessoas transexuais alega que recuo abre brechas para violação de direitos humanos. (Foto: Divulgação)

A nova carteira de identidade nacional (CIN) vai manter a distinção entre “nome de registro” e “nome social” e também o campo “sexo”. A decisão, no entanto, desagradou as organizações que representam pessoas LGBTQIA+ que se posicionaram contra o que chamam de “recuo do governo federal”.

Em maio passado, o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) anunciou que as duas determinações que tinham sido adotadas em 2022, durante o governo Bolsonaro, não seriam usadas no novo RG. Um grupo de trabalho, com a presença do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, definiu que haveria a unificação do campo “nome”, sem distinção de “nome social” ou “nome de registro”, e a exclusão do campo “sexo”.

No entanto, o MGI voltou atrás. Na sexta-feira (1º), o ministério confirmou que vai manter o documento como antes.

Questionado sobre o recuo na decisão, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos não respondeu a pergunta. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania também não se posicionou sobre o assunto até a publicação desta reportagem.

Segundo a secretária política da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) Bruna Benevides, a decisão do governo de manter as duas medidas na carteira de identidade abre brechas para violação de direitos humanos. 

“O campo sexo e a manutenção de dois campos de nome, incluindo o nome social e o nome de registro, não cumprem o papel de proteger as pessoas trans e garantir cidadania. Pelo contrário. São meios de produzir e manter violências”, diz Bruna.

Benevides alerta para possíveis represálias como humilhação, tratamentos vexatórios e desproporcionais e também violências diversas. “A gente está falando do Brasil, o País que mais assassina pessoas trans do mundo”, diz ela.

A Antra fez, no último ano, uma pesquisa sobre a retificação do campo “sexo” por pessoas trans. De acordo com o levantamento, 65% das pessoas trans não conseguiram corrigir o documento por três motivos: altos custos, excesso de burocracia e transfobia institucional dos cartórios.

“Ao invés de estar discutindo incluir o campo ‘sexo’ no RG, o Estado deveria estar discutindo formas de tornar mais efetiva a retificação para essas pessoas e o Estado tem se furtado nesse sentido”, diz Bruna Benevides.

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3 Comentários
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Gilberto Simon
3 de dezembro de 2023 19:33

Ninguém opta por ser homossexual ou trans. Nasce assim.

Nilton G Veiga
3 de dezembro de 2023 15:27

Na natureza há masculino e feminino, a identidade e a característica de cada indivíduo é única. Não há porquê um cidadão ter registro de dois sexos e dois nomes. Quer ser diferente? Optou por ser diferente? Então que assuma e encare a sociedade mas não queiram modificar o natural e a sociedade em prol de benefícios próprios.

Glaucio Dos Santos Brum
3 de dezembro de 2023 12:11

Se não for como eles querem, é retrocesso. É simples: se você possui cromossomos XX, é feminino. Se possui cromossomos XY, é masculino. Como se identifica, daí é outra coisa. É muito mimimi!

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