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Brasil Dilma e presidente do Uruguai concordam em flexibilizar o Mercosul

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Vázquez e Dilma querem acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Foto Roberto Stuckert Filho/PR

Apresidenta Dilma Rousseff e seu colega do Uruguai, Tabaré Vázquez, concordaram na quinta-feira sobre a necessidade de replanejar o Mercosul, a fim de conferir maior flexibilidade comercial a seus sócios. A iniciativa pode representar uma mudança histórica no bloco fundado em 1991.

“Não somos sonhadores, nem impacientes. Mas não seríamos sinceros se disséssemos que o Mercosul, como está, nos satisfaz”, disse Vázquez em um encontro com a imprensa durante sua visita de Estado. “Coincidimos em que o Mercosul representa um importante patrimônio comum. Como diz o Vázquez, o Mercosul tem sempre que se adaptar às novas circunstâncias”, disse Dilma em seguida.

Brasil, Uruguai e Paraguai – que juntamente com Argentina e Venezuela formam o Mercosul – concordam em buscar uma fórmula que permita acabar com uma das principais limitações do bloco: a impossibilidade de buscar acordos comerciais sem a anuência dos demais sócios. Vázquez considerou necessário outorgar a seus membros “certas flexibilidades para que, aqueles que desejarem, possam avançar em conjunto com outros parceiros comerciais”.

Acordo com a Europa
Trata-se de uma mudança fundamental para o Mercosul, defendida por Uruguai e Paraguai e que durante anos se chocou com a reticência de Brasília e com as dificuldades econômicas vividas pela Argentina. O Brasil tradicionalmente se opõe à negociação de acordos comerciais fora do bloco, mas tem mudado sua postura diante da estagnação econômica e da pressão do empresariado.

Em abril, o FMI (Fundo Monetário Internacional) previu que o Brasil terá uma contração do PIB (Produto Interno Bruto) de 1% neste ano.

Preocupados com a deterioração do comércio regional, Vázquez e Dilma tentam avançar em um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a UE (União Europeia). “A negociação conjunta Mercosul-União Europeia é um objetivo prioritário, longamente planejado, mas que hoje está novamente travado”, reclamou o presidente uruguaio em seu discurso.

O acordo, estagnado há mais de dez anos, é visto pelos dois governos como uma primeira alternativa de abertura comercial para o Mercosul. A chefe do FMI, Christine Lagarde, que se reuniu com Dilma em Brasília na quinta-feira, saudou a possibilidade de acordo entre os dois blocos. “A presidenta Dilma Rousseff e eu tivemos uma boa troca de pontos de vista sobre o estado atual da economia mundial e seu impacto regional, assim como a possibilidade de uma relação comercial mais estreita entre o Mercosul e a União Europeia e os benefícios econômicos que surgiriam disso”, comentou Christine, citada pela Presidência.

Dilma ressaltou que um acordo com a UE neste ano é prioritário e que não é necessário que todos os membros do Mercosul apresentem suas propostas ao mesmo tempo. “As velocidades diferentes estão previstas internamente em todos os acordos. Elas vão ocorrer dentro da UE e dentro do Mercosul. Cada realidade é uma”, afirmou ela a jornalistas.

A postura de abertura do Brasil tem se acentuado desde que Dilma assumiu seu segundo mandato, em janeiro deste ano.

China
Com um prognóstico difícil para a economia, avalia-se a possibilidade de fechar tratados de livre-comércio com a China, atualmente o principal parceiro comercial, que redobrará seus investimentos no País nos próximos anos, e com o México. “A política comercial precisa ser uma política mais pragmática. O Brasil precisa integrar-se às correntes de comércio, sobretudo em regiões que são mais dinâmicas hoje do que o Mercosul”, disse o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro.

Dilma recebeu na terça-feira no Palácio do Planalto, o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e assinou 35 acordos bilaterais nas áreas de planejamento, infraestrutura, comércio, energia, mineração, entre outras, no valor de mais de 53 bilhões de dólares, com o governo brasileiro. Dilma viajará à China em 2016 para estreitar ainda mais o relacionamento entre os países.

Somente com a Petrobras, os pactos que envolvem financiamento de projetos da estatal chegam a pelo menos 7 bilhões de dólares. O Palácio do Planalto apostará nos negócios com a China para evitar uma paralisia do governo com o corte do Orçamento de 2015, que deverá ficar entre 70 bilhões de reais e 80 bilhões de reais. Uma das principais apostas do acordo é a Ferrovia Transoceânica, que ligará Brasil e Peru.

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