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Geral O drama dos jovens “nem-nem”, que não estudam e nem trabalham: eles são um quarto dos brasileiros entre 15 e 29 anos

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Enquanto o Brasil tem 24% dos jovens que não estudam nem trabalham, os países da OCDE têm 10 pontos percentuais a menos de jovens na categoria. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A carioca Carolina Cristina de Barros tinha 15 anos quando o teste de gravidez deu positivo. Yan Lucas veio à luz em julho de 2016, levando a jovem a interromper os estudos e enfrentar o duplo desafio de ser mãe precoce e mãe solteira. O pai, seu namorado na época, nunca a ajudou.

Nascida no ano 2000, Carolina enfrenta um dos males do milênio – o limbo dos jovens “nem-nem”, que não estudam e nem trabalham. A situação afeta jovens no mundo todo, mas tem índices alarmantes no Brasil, onde encontra agravantes ligados a pobreza, raça e gênero.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 10,9 milhões de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos não estudam e não trabalham, o que representa 22,3% – ou um em cada cinco – desta faixa etária.

A maioria desses jovens são pobres (61,2%) e mulheres (63,4%). Quase metade (43,3%) são mulheres pretas ou pardas. Carolina faz parte das três estatísticas. Ela mora sozinha com o filho em Senador Camará, favela em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro.

“Eu vou às ruas, deixo currículo, mas é muito difícil. Porque eu não consegui terminar os estudos e também porque sou preta. Ou seja, primeiro emprego, estudos incompletos, sem experiência… Rejeitam o meu currículo”, resume a jovem, hoje com 23 anos.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil tem um dos piores índices de jovens nesta situação quando comparado a outros 38 países. Segundo o relatório Education at a Glance, de 2023, o país fica à frente apenas da África do Sul, Colômbia, Chile, República Tcheca e Turquia nesse quesito. Enquanto uma média de 14,7% de jovens entre 18 e 24 anos estão fora da escola e do trabalho nos países analisados, no Brasil a proporção chega a 24,4%.

O contingente de jovens que não estuda e nem trabalha é um indicador importante não apenas da vulnerabilidade juvenil, como também para medir a perda de potencial de produtividade de uma economia – no presente e no longo prazo, já que se trata de uma força de trabalho que pode atuar por décadas.

Se essa parcela da população estivesse ativa no Brasil, o PIB de 2022 teria crescido R$ 46,3 bilhões. A conta é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), segundo estudo divulgado neste mês (15/01) com base nos dados do IBGE.

O relatório da OCDE, baseado em dados de 2022, frisa a importância de governos desenvolverem políticas públicas para evitar que jovens entrem nessa situação, ou para que saiam dela o mais rápido possível. Dificuldades para transitar da escola para o mercado de trabalho no início da vida adulta podem ter consequências de longo prazo na vida de um jovem, e quanto mais tempo se passa nesta situação, mais difícil é sair.

Para a economista e analista do IBGE Denise Guichard, é fundamental que governo, empresas e a sociedade olhem com mais atenção para os jovens nessa situação de vulnerabilidade.

“Precisamos cuidar da juventude de hoje. É uma perda de potencial de produtividade e de capital humano muito grande. São 11 milhões de jovens fora do mercado de trabalho e do sistema de ensino, tantas oportunidades desperdiçadas”, enfatiza. “As pessoas perdem, e o país perde.”

O termo nem-nem é a versão em português da sigla em inglês NEET (not in education, employment, or training, ou seja, fora da educação, emprego ou formação profissional).

Muitos rejeitam a expressão por sugerir que o jovem é responsável pela situação. Alguns economistas preferem falar em “sem-sem”, ou seja, sem escola e sem emprego, para reforçar as desigualdades e faltas de oportunidade na raiz do problema.

Os motivos que levam jovens a estarem fora da escola e do trabalho apontam para múltiplos obstáculos, que envolvem baixa qualidade da educação, falta de acesso ao mercado de trabalho e desigualdade de oportunidades e de formação.

Geovani Cunha, de 21 anos, terminou os estudos há três anos, mas ainda não conseguiu emprego, apesar de uma rotina insistente de distribuir currículos.

Suas dificuldades refletem problemas enfrentados por jovens pobres e pardos como ele – desde o ensino público, que considerou fraco (“os professores mais faltavam do que iam”) ao estigma que sente ao sair da favela onde mora para os bairros mais abastados da zona sul do Rio (“a gente vê o julgamento no olhar das pessoas. Na zona sul, todo preto é favelado, vagabundo, ladrão”).

“Estou correndo atrás, mas garanto que não é fácil. Acordar cedo para entregar currículo por aí, sabendo que vou ficar sem almoçar, passando mal no sol em fila de emprego. O patrão não quer saber dos seus problemas, se você comeu ou não.” As informações são da emissora internacional de notícias da Alemanha Deutsche Welle.

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