Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 23 de fevereiro de 2024
Os investigadores da Polícia Federal não ficaram satisfeitos com os interrogatórios dos sete investigados que decidiram falar no inquérito que apura a tentativa de um golpe de Estado.
A avaliação dos agentes e delegados é que, aqueles que responderam às perguntas, mentiram, buscaram se justificar e não contribuíram em nada na investigação. Nesta lista estão o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o ex-ministro Anderson Torres. O primeiro falou por cerca de três horas e o segundo, por cerca de cinco horas. Os depoimentos de ambos foram descritos como “evasivos” e “sem dados a acrescentar”.
Outro ponto destacado é que este era um momento que poderia ter sido usado para os alvos se defenderem, mas eles “perderam a oportunidade”. Dos 23 intimados para o interrogatório de quinta-feira, sete falaram. Os depoimentos foram marcados no mesmo dia e horário para prevenir a combinação de versões.
A estratégia dos investigadores acabou frustrada pelas defesas. O ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados decidiram não responder às perguntas. Eles alegam que não tiveram acesso a todas as provas que fundamentaram a Operação Tempus Veritatis. O maior interesse é em torno das conversas de WhatsApp obtidas pela PF.
A investigação se debruça sobre a trama golpista que teria sido articulada por aliados próximos do ex-presidente para anular o resultado da eleição e mantê-lo no poder.
O advogado Marcelo Bessa, que representa Valdemar, informou que ele respondeu todas as perguntas dos investigadores. “A defesa não fará qualquer comentário sobre as investigações.”
Anderson Torres também busca demonstrar uma postura colaborativa. O advogado Eumar Novacki, que representa o ex-ministro, confirmou que ele não ficou em silêncio. “Esclareceu todas as dúvidas em relação aos fatos investigados e reafirma sua disposição para cooperar com as investigações.”
Bolsonaro chegou a tentar um salvo-conduto no STF para ser dispensado do depoimento, mas o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido e informou que o ex-presidente era obrigado a se apresentar na sede da Polícia Federal, mesmo que não fosse responder às perguntas.
Defesa de Bolsonaro
Paulo Bueno, advogado do presidente Bolsonaro disse que ele ficou em silêncio durante o depoimento da Polícia Federal. Ele insiste que não foi dado a ele acesso aos elemento da investigação que fundamentam a decisão, “em especial as mídias digitais de conversas telefônicas e computadores”. Quando é feito o uso de silêncio, os investigadores não podem perguntar mais nada.
Em nota, a defesa de Bolsonaro diz que requereu ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, acesso à totalidade dos elementos de investigação.
Segundo a nota do escritório de Paulo Bueno, “as decisões que sucessivamente foram dadas, em resposta aos reiterados pedidos formulados, franquearam a esta defesa só e somente as peças que se encontravam encartadas nos autos, excluindo expressamente o acesso a outras que, por deliberação do presidente da investigação, vêm sendo mantidas sob sigilo até mesmo dos advogados constituídos pelos investigados”.
Em outro trecho, a defesa argumenta que os elementos mantidos ocultos – em especial os termos de declarações do tenente-coronel Mauro Cid e as mídias digitais dos celulares e computadores –, que foram o fundamento tanto da representação policial quanto de Moraes, determinando buscas e prisões preventivas.
“Diante da reiterada negativa de acesso por parte do Ilmo. Min. Relator, a elementos que, no entendimento da defesa, não podem ser subtraídos de seu conhecimento, deliberou-se por, até que se tenha o legítimo e amplo acesso à investigação, o presidente Bolsonaro não prestará qualquer declaração, não abdicando de fazê-lo tão logo lhe seja garantido o referido acesso, não sendo demais lembrar que jamais se furtou ao comparecimento perante a autoridade policial quando intimado”. As informações são dos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo.
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