Sexta-feira, 12 de junho de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Notícias Apesar da melhora de índices como inflação e desemprego, aprovação da gestão Lula caiu; fenômeno se repete nos Estados Unidos

Compartilhe esta notícia:

Pautas de fora da alçada econômica têm recebido mais atenção no Brasil e no mundo. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A inflação está controlada, o desemprego registra o menor patamar desde 2014 e o Produto Interno Bruto (PIB) cresce acima do previsto pelo mercado. A popularidade do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por outro lado, cai. Desde que o estrategista americano James Carville cunhou a frase “É a economia, estúpido” na campanha presidencial de Bill Clinton, em 1992, a ideia virou um mantra político. Hoje, dentro e fora do Brasil, a máxima começa a ser colocada em xeque, apesar de a economia ainda desempenhar papel fundamental.

Diante de um cenário de polarização consolidada, avaliam cientistas políticos e diretores de institutos de pesquisa, valores morais e a pauta identitária se juntam à seara econômica no rol de temas que forjam a opinião pública. Em linhas gerais, é como se o pensamento de Carville passasse por uma adaptação: a economia ainda importa, estúpido, mas só ela não basta.

“Não é mais suficiente apenas a economia para gerar resultados políticos. É preciso disputar narrativas, compreender a guerra cultural num mundo de redes sociais e de formação de bolhas”, avalia o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest Consultoria e Pesquisa e autor, junto com o jornalista Thomas Traumann, do livro “Biografia do Abismo”, que analisa a polarização na sociedade brasileira.

Nova lógica

Essa nova lógica, afirma Nunes, evidencia uma opinião pública “calcificada”, palavra escolhida no livro para ilustrar como a sociedade está dividida, com cada lado convicto do que acredita e fechado a ouvir o outro.

“A sociedade brasileira sempre foi conservadora, e continua sendo. Um governo de esquerda, então, tem desafios”, aponta o diretor da Quaest, que também é professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Quando o debate era só econômico, conseguia superar pelas entregas voltadas para o bem-estar social. Quando isso deixa de ser o único determinante e entra a pauta de valores, o governo tem que debater temas não necessariamente favoráveis a ele na opinião pública, como o aborto”, acrescenta.

Nas pesquisas da Quaest, o governo Lula passou de 40% de avaliação positiva em fevereiro de 2023 para 35% no mesmo mês deste ano; a negativa saltou de 20% para 34%. Nos levantamentos do Ipec, queda de 41% para 33% no índice de “ótimo ou bom” e crescimento de 24% para 32% no de “ruim ou péssimo”, quando comparados os meses de março de um ano para outro.

Os indicadores econômicos, por sua vez, têm registrado inflação abaixo de 5% na comparação com os 12 meses anteriores, taxa de desocupação em 7,4% e um PIB que cresceu 2,9% no ano passado, na contramão das expectativas de menos de 1% divulgadas pelo mercado no início do governo.

Percepção

Outra interpretação para o descompasso versa sobre nuances da melhora da economia, destacam os especialistas. O PIB do ano passado, por exemplo, teve desempenhos melhores nos dois primeiros trimestres, quando a avaliação do governo também estava superior. Pesa ainda a demora para dados econômicos despontarem como algo palpável para a população, analisa a CEO do Ipec, Márcia Cavallari.

“Uma coisa são os indicadores oficiais, outra é a percepção da opinião pública. A percepção às vezes demora a chegar. A economia pode estar melhorando, mas talvez a população ainda não tenha sentido isso no bolso. Até porque, quando vemos os segmentos em que Lula mais caiu, destaca-se o de renda mais baixa”, diz.

Em dezembro do ano passado, 47% dos entrevistados acreditavam que o poder de compra do brasileiro era “menor do que antes”. No levantamento de fevereiro, o percentual saltou para 65%.

Na outra ponta, 33% avaliavam em dezembro que o poder de compra era maior; agora, apenas 20% pensam assim. Os números ilustram como indicadores positivos na economia nem sempre se convertem a curto prazo em impacto real para a população.

Oposição mobilizada

Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o cientista político Josué Medeiros enxerga uma oposição distinta daquela a que os governos anteriores de Lula estavam acostumados, o que configura um desafio. O bolsonarismo, diz, retomou o poder de mobilização perdido nos meses seguintes ao 8 de janeiro. Uma vez recuperada a capacidade de articulação, voltou a navegar por águas que lhes são convenientes, sobretudo na pauta de valores.

A lógica de que políticas públicas vão naturalmente se converter em melhora na popularidade, aponta Medeiros, não se sustenta mais. E o bolsonarismo disputa de forma mais eficiente as narrativas na base da sociedade.

“Quando retomam a capacidade de pautar a oposição e de se mobilizar, isso não encontra resposta do governo. Política é esporte de contato, e só tem um lado que está dando carrinho, indo para a dividida, disputando a jogada”, diz Medeiros.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Notícias

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Querendo mais popularidade, Lula deseja mais empenho de auxiliares na divulgação de iniciativas do governo
Veja os principais pontos de cada depoimento no inquérito sobre tentativa de golpe de Estado
Pode te interessar