Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 13 de maio de 2024
Os impactos dos recentes eventos climáticos no País devem afetar planos e resultados das empresas nos próximos meses. A tragédia no Rio Grande do Sul, que causou mais de uma centena de mortes e desabrigou milhares de pessoas, forçou indústrias de consumo e varejistas a reverem estratégias. Além disso, as altas temperaturas do verão fora de época no país já mexem em projeções de margens e planejamentos.
As questões foram abordadas na semana passada por analistas e empresas de capital aberto nas teleconferências de resultados do 1º trimestre. “Esse é o tema sobre o qual conselhos e diretorias têm se debruçado, pois serão diversos efeitos nos próximos meses”, diz Eduardo Terra, sócio da BTR Educação e Consultoria e membro de conselhos de varejistas.
A região Sul responde pela segunda maior fatia no consumo das famílias no País, com 18,3% do bolo – perde para Sudeste (49%) e supera o Nordeste (17,8%), segundo a “IPC Maps”, com dados de 2023.
Consultores dizem que o momento exige a busca de soluções pelas empresas para a falta de matérias-primas vindas do Estado, como calçados e móveis. E esperam-se ajustes em linhas de produção da indústria de outros Estados que atendem o RS, e nos estoques das lojas. O GPA, dono do Pão de Açúcar, por exemplo, limitou a compra de arroz, feijão, óleo e leite para garantir a disponibilidade.
“Como as grandes redes de moda e calçados vão comprar o couro das fazendas do Sul agora? Será preciso buscar soluções”, afirma Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores. “E o que deve ter demanda já imediata quando as águas baixarem? Há uma cauda longa dos impactos desse desastre que as empresas terão de ficar atentas.”
Indústrias e varejo também debatem os efeitos das temperaturas nos negócios. O verão deste ano já “invadiu” 2/3 do período do outono brasileiro. A Riachuelo diz que as margens no outono e inverno são mais altas que no verão e, com isso, o calor que não dá trégua pode afetar a rentabilidade do 2º trimestre. Para a C&A, esforços de venda feitos há alguns anos, de produtos mais leves no outono e inverno, ajudam a empresa a defender a rentabilidade. Sediada no RS, a Renner diz que pode perder volume de venda no 2º trimestre por causa da crise no Estado, mas está preparada para um verão mais longo. As informações são do jornal Valor Econômico.
Os comentários estão desativados.