Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 22 de janeiro de 2026
O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), intensificou nas últimas semanas uma ofensiva para se firmar como principal ponte do bolsonarismo com o eleitorado evangélico, mas tem encontrado resistências. Segundo interlocutores, pastores influentes atendem telefonemas, aceitam conversas reservadas e mantêm canais abertos com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas evitam qualquer gesto público que pareça antecipar uma sucessão.
A avaliação que circula no segmento é que o senador ainda não reúne densidade política suficiente para liderar o campo conservador em 2026 e, por isso, sua tentativa de se apresentar como herdeiro natural vem esbarrando em resistência. Procurado, Flávio não se manifestou.
O entrave ocorre num momento em que parte relevante do meio evangélico tem insistido numa alternativa para reorganizar a direita: uma chapa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), como vice. Nos bastidores, a combinação é descrita como eleitoralmente mais competitiva e com maior capacidade de mobilizar diferentes nichos, o que tem funcionado, na prática, como freio adicional ao avanço do projeto de Flávio.
A defesa da dupla ganhou tração no segmento após a articulação de Michelle e de Tarcísio no Supremo Tribunal Federal em torno do pedido de prisão domiciliar de Bolsonaro, movimento lido por lideranças religiosas como gesto de “proteção” e de construção de uma saída politicamente sustentável para o grupo. Interlocutores afirmam que a transferência de Bolsonaro para a Papudinha reforçou a imagem de Michelle como ponte com a base e de Tarcísio como opção com menor rejeição e capacidade de diálogo fora do bolsonarismo mais duro. A leitura que circula entre pastores é que a busca por um desfecho que alivie a situação do ex-presidente, mesmo sem atender integralmente ao pleito pela domiciliar, funcionou como sinal de força e de coordenação política, aumentando o apelo de uma composição entre os dois para 2026.
Nesse contexto, Flávio tenta conquistar espaço no meio envangélico indo a eventos e em conversas de bastidores. A estratégia do senador tem sido buscar interlocução com nomes de projeção nacional e grande capilaridade, capazes de “chancelar” sua entrada em redes mais amplas do segmento evangélico.
O primeiro alvo foi o pastor Silas Malafaia. Segundo interlocutores, Flávio ligou para o líder religioso com o objetivo de marcar um jantar e abrir um canal mais estruturado, mas a tentativa que não prosperou. A avaliação entre aliados é que Malafaia se dispôs a conversar, mas evitou dar qualquer sinal que pudesse ser interpretado como endosso.
A mesma tentativa se repetiu com outros polos. Flávio buscou contato com o pastor Samuel Ferreira, da Assembleia de Deus Madureira, e tentou construir pontes com pastores próximos à Universal do Reino de Deus. No entorno do senador, a leitura era de que essas conexões poderiam funcionar como atalhos para denominações com capilaridade nacional e capacidade de mobilização regional. Mais uma vez, a agenda emperrou. Um aliado resumiu o saldo como “acolhimento sem adesão”: atende, conversa, mantém a porta entreaberta — mas não entra no jogo.
O recado mais duro, porém, veio no diálogo com Malafaia, que decidiu deixar registrada sua leitura sobre o tabuleiro eleitoral. Segundo pessoas informadas sobre a conversa, o pastor disse a Flávio que o problema não era pessoal, mas de viabilidade: na avaliação dele, o senador teria capacidade política, mas não seria hoje o nome mais competitivo para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026.
“Já disse para ele: você não tem musculatura para enfrentar isso. Se nós queremos vencer e derrotar Lula e PT, o Tarcísio é o nome que tem capilaridade”, afirmou Malafaia.
Na mesma conversa, ele sustentou que, do ponto de vista do segmento evangélico e do eleitorado conservador, a combinação considerada mais viável seria Tarcísio com Michelle Bolsonaro, por reunir capilaridade e menor rejeição.
O episódio reforçou uma avaliação que vem circulando no meio evangélico ligado ao bolsonarismo: a disposição de preservar o vínculo com Bolsonaro permanece, mas há cautela em assumir o custo de uma sucessão antecipada. Interlocutores descrevem que líderes não querem se colocar como fiadores de herdeiro antes de o campo conservador fechar um acordo mais amplo. Há quem diga também que a carta manuscrita por Bolsonaro também não foi um sinal suficiente de que Flávio será seu representante e aposte em um mudança de rumos.
Na quarta-feira (21), o pastor bolsonarista Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, voltou a afirmar que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República não tem “musculatura” política. Segundo ele, a iniciativa também “não empolgou” a direita, que teria no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um nome mais adequado. A declaração do religioso ocorre logo após ao cancelamento da visita do gestor paulista a Jair Bolsonaro, na terça-feira, que, conforme antecipado por Flávio, ouviria do ex-presidente que suas pretensões presidenciais estão “descartadas”.
“Se não juntar centro e direita, não ganha essa eleição. E o Tarcísio engloba mais isso do que o Flávio. Eu não vejo o Flávio com musculatura para derrotar (presidente) Lula (PT)”, disse Malafaia, em entrevista ao SBT News. “A candidatura do Flávio não empolgou a direita”, completou, justificando que o endosso de políticos foi apenas “para não se queimarem”.
Para o pastor, o filho do ex-presidente é o “candidato que a esquerda quer”. Malafaia defendeu que Tarcísio tem “mais capilaridade”, e deveria formar uma chapa com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que “tem a direita, as mulheres, e é filha de nordestinos”. As informações são do jornal O Globo.
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