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Tecnologia Minicelulares se espalham pelas cadeias e desafiam autoridades

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Embora não tenham a capacidade tecnológica de um smartphone, os microaparelhos são ocultados com facilidade. (Foto: Divulgação)

O tamanho pode ser o de uma tampa de caneta ou um isqueiro. O peso, de 20 gramas, equivalente ao de uma pilha AA, é quase imperceptível. Celulares minúsculos, embora não tenham autorização para venda no Brasil, tornaram-se comuns em presídios do país, onde entram despercebidos e param facilmente nas mãos de bandidos encarcerados.

Os primeiros casos de minicelulares encontrados em presídios remontam a 2015, quando um aparelho de apenas 7 centímetros foi localizado dentro de uma pomada enviada por correio ao Centro de Detenção Provisória de São Paulo. Os agentes acharam o dispositivo ao tentarem, e não conseguirem, espremer a pasta como parte da fiscalização de rotina. Dois anos depois, também em São Paulo, telefones diminutos voltaram a ser encontrados em um sabonete ou transportados por um pombo-correio. Em 2018 e 2019, episódios similares foram registrados no Rio de Janeiro e em Goiás.

Mas, se antes havia apreensões esparsas, agora elas se tornaram mais frequentes, espalhando-se por diferentes estados. Em setembro, a Secretaria estadual de Justiça de Mato Grosso anunciou ter encontrado um minicelular que imitava uma lata de Coca-Cola dentro de uma cela do Centro de Detenção Provisória de Juína, após um ano sem apreensões de aparelhos telefônicos na unidade. Já em São José do Rio Preto (SP), em abril, um detento que cumpria o regime semiaberto foi pego ao passar pelo raio x após ingerir três minicelulares e quatro baterias.

Segundo o promotor Edmundo Reis, coordenador do Grupo Especial de Execução Penal (Gaep) da Bahia., os minicelulares começaram a aparecer nos presídios locais há cerca de três anos, numa incidência que se acentuou recentemente. A cada “baculejo”, gíria que diz respeito a revistas e inspeções internas feitas por policiais penais, dois ou três aparelhos do tipo são descobertos. Reis frisa que o tamanho reduzido facilita a ocultação no interior das celas:

“Algumas unidades na Bahia tem scanner corporal, mas outras não. A depender do que envolve esse telefone, e como ele já tem um tamanho reduzido, pode ser confundido com outra coisa. Se não existir certeza do que se trata, não se pode levar a pessoa para o hospital para fazer a retirada contra a vontade dela. Seria invasivo”, relata o promotor.

Outros estados também tentam aprender a lidar com a tecnologia. Em Minas Gerais, garis foram pegos, em setembro, tentando entrar em uma cadeia com vários telefones em um caminhão — entre eles, minicelulares. O caso chamou a atenção pois eles também levavam carregadores hidráulicos, capazes de recarregar um celular com fluxo de água. No ano passado, os aparelhos em miniautra foram encontrados dentro de rosquinhas enviadas por Sedex ao presídio de São João del Rei (MG).

“Conseguimos verificar, sim, um aumento. Obviamente, pelo tamanho, é um pouco mais complexo localizar”, admite o diretor-geral do Departamento Penitenciário de Minas Gerais, Leonardo Badaró, destacando que a introdução em partes íntimas de visitantes é uma das principais formas desses aparelhos entrarem nas penitenciárias.

De acordo com Badaró, como o objetivo dos detentos é garantir um meio de comunicação com o mundo externo, há pouca diferença de preço entre os celulares convencionais e as versões em miniatura. O custo varia conforme a realidade de cada presídio, pois estão atrelados à dificuldade de ingresso em cada unidade.

Até R$ 100

Os minicelulares entram no Brasil de forma irregular a partir de países como o Paraguai. Eles também podem ser comprados por menos de R$ 100 em plataformas de e-commerce. Procurada, a Anatel disse que os pedidos de homologação desses dispositivos são indeferidos por serem produtos que se prestam a fins ilícitos.

Uma das marcas mais comuns, a L8Star, por exemplo, não tem aparelhos autorizados a serem comercializados no país. Segundo a Abinee, a participação dos telefones irregulares, de modo geral, nas vendas de 2025 representou 12% do total do mercado, o equivalente a 4,5 milhões de unidades. A entidade também estima que circulem no país 5 milhões de minicelulares não homologados.

França

O problema não se limita ao Brasil. Em maio deste ano, a França deflagrou a operação “Prison Break” para combater a circulação desses aparelhos em 66 presídios. As autoridades do país europeu buscavam 5 mil telefones que estariam escondidos em 500 celas.

Por meio dos microcelulares, de forma não muito diferente dos detentos brasileiros, os presos franceses seguiam no tráfico de drogas e chegavam a ordenar a execução de desafetos. Na ocasião, a polícia francesa destacou que os miniaparelhos são vendidos com a promessa de serem “indetectáveis pelos portões de segurança de centros de detenção”. (As informações são de O Globo)

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https://www.osul.com.br/minicelulares-se-espalham-pelas-cadeias-e-desafiam-autoridades/ Minicelulares se espalham pelas cadeias e desafiam autoridades 2026-01-26
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