Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de janeiro de 2026
O Exército autorizou a aposentadoria antecipada do tenente-coronel Mauro Cid, 46, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pela trama golpista pelo STF (Supremo Tribunal Federal). O militar, que foi delator no processo que levou o ex-presidente à prisão, deixará o serviço a partir de 31 de janeiro e entrará para a reserva.
Cid entregou ao Exército um pedido formal em agosto para ir à reserva antes de completar o tempo mínimo de serviço. Na ocasião, a Força criou uma comissão para analisar a documentação do militar antes de tomar uma decisão. A informação foi dada inicialmente pelo SBT News.
Em nota, o Centro de Comunicação Social do Exército afirmou que “o pedido de Cid para passagem à reserva remunerada, na cota compulsória, foi deferido pelo Comandante do Exército. Desta forma, o militar está previsto para passar à reserva a partir de 1º de fevereiro de 2026”.
A cota compulsória é um mecanismo pelo qual um militar pode passar à reserva do Exército e receber como aposentadoria um valor proporcional ao tempo de serviço.
Cid tem 29 anos e 11 meses de serviços prestados pelo Exército e, em setembro, foi condenado a dois anos de reclusão, em regime aberto, como resultado do acordo de colaboração premiada firmado com a Polícia Federal. Ele teria o direito de deixar o serviço ativo, com todos os benefícios, somente após 31 anos de trabalho. Na prática, no entanto, uma redução salarial na reserva seria pequena.
O Exército sugeriu a Cid que fosse para a reserva ainda em 2023, por meio da cota compulsória, segundo três generais ouvidos pela reportagem. O argumento era que o militar pudesse focar seus esforços em sua defesa diante do avanço das investigações sobre a trama golpista.
O tenente-coronel negou a sugestão na época. Ele acreditava que era possível reverter o cenário, ainda confiante de que nem sequer seria denunciado pela tentativa de golpe de Estado. A avaliação de aliados de Cid é que a situação acabou se tornando insustentável, e o melhor caminho era deixar o Exército.
O pedido de reserva de Cid foi anunciado por seu advogado Jair Alves Pereira durante sustentação oral na Primeira Turma do STF. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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