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Economia Banco Central abre investigação interna para apurar processo de crescimento e liquidação do Master

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BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Com pelo menos 25 alertas da fiscalização, autoridade reagiu tarde enquanto Vorcaro dobrava aposta com base no FGC. (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O Banco Central (BC) abriu uma investigação interna para apurar a condução do processo que resultou na liquidação extrajudicial do Banco Master, controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro. O objetivo da auditoria é identificar eventuais falhas nos mecanismos de supervisão, fiscalização e tomada de decisão que antecederam a intervenção na instituição financeira.

O procedimento, conduzido de forma sigilosa, foi instaurado logo após a decretação da liquidação, em novembro do ano passado. A principal linha de apuração busca esclarecer por que a área técnica do BC demorou a identificar o crescimento acelerado de operações consideradas de alto risco realizadas pelo banco, mesmo diante de indícios de deterioração da situação financeira da instituição.

A abertura da sindicância foi determinada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ainda em dezembro. Internamente, o entendimento é de que um processo de liquidação extrajudicial representa um evento de elevada gravidade no sistema financeiro e, por isso, exige documentação detalhada e análise rigorosa sobre a atuação dos responsáveis pela supervisão.

Desde o início da auditoria, houve mudanças relevantes na estrutura do Banco Central. Os diretores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que estavam à frente do Departamento de Supervisão Bancária, deixaram seus cargos. O departamento é responsável por acompanhar a situação das instituições financeiras, identificar riscos e adotar medidas preventivas para evitar crises sistêmicas.

Nos últimos meses, o caso do Banco Master passou a ocupar o centro das atenções de diferentes órgãos de controle e do Judiciário. Além do BC, o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Supremo Tribunal Federal (STF) também foram acionados para analisar aspectos relacionados à atuação do regulador, às consequências da liquidação e aos impactos para o sistema financeiro.

A crise teve início após a identificação de operações financeiras que levantaram suspeitas sobre a sustentabilidade do modelo de negócios do banco. Com o avanço das investigações, o BC optou pela liquidação extrajudicial, medida extrema prevista na legislação para proteger depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro nacional.

A decisão, no entanto, passou a ser questionada por diferentes agentes do mercado e por partes interessadas, o que levou à reavaliação de seus fundamentos e à abertura de novas frentes de análise dentro do próprio Banco Central. As informações sobre a auditoria interna foram divulgadas nesta quinta-feira (29) pelo Blog do Valdo Cruz, do site G1.

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