Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de janeiro de 2026
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa apresentaram versões divergentes durante acareação realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a origem das carteiras de crédito consideradas problemáticas adquiridas pelo banco público a partir de 2025.
Os vídeos foram divulgados depois que o ministro Dias Toffoli determinou a retirada de sigilo do material a pedido do Banco Central.
Ao ser questionado sobre o tema durante a audiência, Vorcaro afirmou que o BRB tinha conhecimento de que parte dos créditos não havia sido originada pelo Master, mas por uma empresa terceira, a Tirreno. Segundo ele, o modelo de negócios previa a compra de carteiras estruturadas por outros agentes.
“A gente anunciou que faria vendas de originadores terceiros, nem eu sabia do nome Tirreno naquela ocasião, mas a gente chegou a conversar por algumas vezes, que a gente começaria um novo formato de comercialização, que seria de terceiros, carteiras originadas por terceiros e não mais originação própria especificamente”, disse Vorcaro.
Após ser questionado pela PF, Costa negou essa versão. O ex-presidente do BRB afirmou que sempre entendeu que os ativos tinham origem no próprio Master e que só mais tarde surgiram dúvidas sobre a procedência das carteiras.
“O meu entendimento, que coloquei aqui mais cedo, é que eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente”, afirmou Costa.
Vorcaro disse que não tinha essa informação de ser “revendida pelo Master”.
“Eu sabia que eram carteiras dos mesmos originadores que faziam originação para o Master, era um ambiente de clientes que faziam parte do nosso ambiente, mas não especificamente que tinham sido originadas por nós”, afirmou.
Ainda durante a acareação, a delegada questiona se Vorcaro foi perguntado “explicitamente” pelo BRB sobre quem seriam as originadoras e afirma que havia um conflito de versões entre o dono do Master e o ex-presidente do banco. Nesse momento, Costa faz uma observação para esclarecer qual era essa avaliação.
“Na nossa visão eram créditos originados pelo Master que estavam sendo recomprados. Mas em abril, ao analisar alguns contratos identificamos que tinha um padrão documental diferente e passamos a questionar quem eram os originadores específicos. E em maio recebemos a informação de que eram créditos originados pela Tirreno. Não significa que a Tirreno produziu o crédito”, disse.
Após essa intervenção de Costa, Vorcaro não respondeu à pergunta.
A divergência foi explorada pela Polícia Federal, que conduz investigação sobre um suposto esquema de negociação de créditos sem lastro. O caso integra as apurações que levaram à liquidação do Banco Master e à identificação de prejuízos bilionários no sistema financeiro.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, o gabinete do ministro Dias Toffoli justificou a decisão pela acareação por conta de divergências apresentadas durante os depoimentos de Vorcaro e Costa.
“As oitivas dos presidentes dos bancos envolvidos no caso e do diretor do Banco Central responsável pela fiscalização das instituições ocorreram no dia 30 de dezembro de 2025, inclusive com a acareação, que se mostrou necessária, entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa”, diz a nota. As informações são do jornal O Globo.
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