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Política Deputada enviou R$ 2,2 milhões a uma associação ligada à advogada Cecília Rodrigues Mota, suspeita de pagar propinas a dirigentes do INSS

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Deputada federal Maria Gorete Pereira (foto) é agora monitorada por tornozeleira eletrônica

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Deputada federal Maria Gorete Pereira (foto) é agora monitorada por tornozeleira eletrônica. (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)

Alvo de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) na Operação Indébito/Sem Desconto – deflagrada na última terça-feira (17), e agora monitorada por tornozeleira eletrônica, a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE) enviou R$ 2,2 milhões a uma associação ligada à advogada Cecília Rodrigues Mota, suspeita de pagar propinas a dirigentes do INSS para firmar acordos com entidades fraudulentas de aposentados.

As emendas foram feitas entre 2016 e 2020, em um período anterior ao acordo que a associação firmou com o INSS para poder oferecer serviços a aposentados em troca de efetuar descontos diretamente na folha de pagamentos de seus filiados. Elas eram destinadas à área da Saúde. Uma delas, por exemplo, destinada ao Fundo Nacional de Saúde, tinha como objetivo a compra de equipamento para hospitais no Ceará.

A entidade que recebeu a verba foi a Associação de Santo Antônio, conhecida como Cenap Asa. Sediada no Ceará, reduto de Gorete, a entidade firmou seu acordo de cooperação técnica com o ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidélis, em 2024. Seu filho, o advogado Eric Fidélis, recebeu R$ 520 mil da advogada e lobista Cecília Mota, que tinha procuração para atuar em nome da associação.

A relação de Cecília com a deputada é antiga. Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, a lobista afirmou que já trabalhou para Gorete. “Eu assessorei ela nas eleições”, disse. Segundo a Polícia Federal, mensagens de Cecília indicam supostos pagamentos à deputada. Em troca, ela teria atuado pela entidade junto a órgãos públicos.

O inquérito da PF aponta mensagens via WhatsApp do empresário Natjo de Lima Pinheiro, o ‘ADM’, para Cecília Mota, que indicam a existência de uma tabela de pagamento de propinas para Gorete. Uma citação reforça a suspeita de que a parlamentar foi contemplada em uma única ocasião com R$ 780 mil do esquema instalado no INSS. Outras comunicações mostram que Gorete teria adquirido um apartamento de R$ 4,43 milhões. Uma única parcela de R$ 1,1 milhão saiu direto da conta da emedebista.

A advogada Cecília também foi alvo da Operação Indébito/Sem Desconto. O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça expediu um mandado de prisão de Cecília. Ela também chegou a presidir uma entidade que havia sido cassada pelo INSS em 2020, mudou de nome, e foi reabilitada por Fidélis.

A Cenap foi a única associação que teve seu contrato rescindido ainda na gestão do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, semanas antes da primeira fase da Operação Sem Desconto. Ela também mantinha contrato com o empresário Igor Delecrode, que é ligado a outras associações e está sob suspeita de fraudar biometria de aposentados com uso das fotos do RG das vítimas como se fossem seus cadastros de reconhecimento facial.

Delecrode é alvo da Operação Sem Desconto. Ele começou na arquitetura de três associações, a Amar Brasil, Master Prev e Aasap, que faturaram mais de R$ 700 milhões com descontos sobre aposentados, mas acabou prestando os serviços de tecnologia a outras entidades – hoje suspeitos de serem mecanismo da fraude. Essas entidades também estão sob suspeita de pagamento de propinas a dirigentes do INSS. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)

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Eloa Guterre
19 de março de 2026 23:54

Ladra também façam devolver o dinheiro roubado.

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