Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Gisele Flores | 24 de março de 2026
Da esquerda para a direita: Ranko Vilovic, Leandro Evaldt, Juan José Escobar Stemmann, Rodrigo Sousa Costa, José Renato Hopf, Aalessandro Cortese, Rafael Prikladnicki e Rodrigo Velho.
Foto: Sergio Gonzalez
O embaixador da Itália, Marcelo Baumbach, calcula um crescimento imediato nas relações comerciais de 30%
O 11º Encontro de Embaixadores promovido pela FEDERASUL, realizado em Porto Alegre, trouxe à tona a dimensão estratégica do acordo Mercosul–União Europeia, que entra em vigor em 1º de maio. Com a presença dos embaixadores da Croácia, Espanha e Itália, além do chefe do escritório do Itamaraty no RS, Marcelo Baumbach, o evento consolidou a percepção de que o tratado pode reposicionar o Rio Grande do Sul no comércio internacional, ampliando exportações e atraindo investimentos.
O acordo, considerado um dos maiores do mundo, prevê redução ou eliminação de tarifas de importação e exportação, abrindo espaço para maior competitividade dos produtos gaúchos no mercado europeu. O embaixador Marcelo Baumbach destacou que “faz bem ao RS participar deste diálogo internacional”, lembrando que carnes, açúcar e álcool, antes taxados em 20%, passarão a entrar sem tarifas. O embaixador da Itália, Alessandro Cortese, foi enfático: “O Brasil está construindo pontes, não muros”, ao defender que os efeitos serão imediatos, com potencial para impulsionar infraestrutura e parcerias público-privadas.
Ranko Vilovic, embaixador da Croácia, ressaltou que o acordo cria a maior zona de comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores, e que a origem europeia de grande parte da população gaúcha pode facilitar negócios. Já o ministro conselheiro da Espanha, Juan José Escobar Stemmann, apontou oportunidades em inovação, energia e tecnologia, além de novos polos industriais. Para ele, o tratado aumenta a segurança jurídica e atrai empresas europeias, com impacto direto na geração de empregos.
O presidente da FEDERASUL, Rodrigo Sousa Costa, destacou que “o futuro passa pela conectividade e o acordo é um marco na interação com o mundo”, lembrando que o RS tem vocação exportadora, mas carece de infraestrutura. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Leandro Evaldt, reforçou que, após quase três décadas de negociações, o Estado está pronto para ampliar negócios e prosperidade.
Dados recentes mostram que o RS responde por cerca de 10% das exportações brasileiras ao bloco europeu, com destaque para carnes, calçados e máquinas. Com o acordo, estima-se um crescimento imediato de 30% nas relações comerciais, segundo cálculos apresentados pelo Itamaraty. Além disso, estudos apontam que o tratado pode elevar o PIB gaúcho em até 1,5% nos próximos anos, consolidando o Estado como protagonista no comércio exterior.
O encontro deixou claro que o acordo não é apenas uma abertura de mercado, mas um reposicionamento estratégico. O RS, com sua base produtiva diversificada e forte ligação cultural com a Europa, tem condições de transformar essa oportunidade em vantagem competitiva. O desafio, como lembraram os embaixadores, será investir em infraestrutura e inovação para sustentar o crescimento. O tratado, portanto, marca o início de uma nova etapa: o Rio Grande do Sul conectado ao mundo em um patamar mais elevado de integração econômica e política. (Por Gisele Flores)
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