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Política Polícia Federal quer rastrear suspeita de mesada a Lulinha, mas evita devassa

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A defesa de Lulinha confirmou, em março deste ano, que ele viajou para Portugal com Camilo Antunes em novembro de 2024. (Foto: Reprodução)

A Polícia Federal (PF) analisa movimentações financeiras sobre desvios no INSS para descobrir se Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi beneficiário final de recursos sob suspeita. Os investigadores, porém, querem evitar uma quebra de sigilo mais ampla, que poderia ser interpretada como uma devassa sobre o filho do presidente da República.

Lulinha teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por ordem do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da própria PF. Não houve, no entanto, nenhuma quebra de sigilo das empresas que pertencem ao filho do presidente.

A atuação da PF segue em uma linha tênue. Investigadores ressaltam que Lulinha ainda não foi indiciado e que as apurações prosseguem. A corporação pediu a quebra dos sigilos do filho do presidente após informações colhidas ao longo do inquérito inicial e em depoimentos.

A intenção dos investigadores é verificar se houve pagamento de uma suposta mesada de R$ 300 mil do lobista Antônio Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS, a Lulinha.

Um ex-funcionário do lobista, Edson Claro, disse em depoimento que Antunes pagava essa quantia mensalmente a Lulinha e que ostentava publicamente sua ligação com o filho do presidente da República. Na quebra de sigilo de Lulinha, porém, não há repasses diretos do Careca a ele.

A PF encontrou indícios de pagamentos nessa quantia à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. A investigação quer determinar se ela repassou o dinheiro ao filho do presidente ou a outra pessoa.

Procurada, a defesa de Lulinha diz que o filho do presidente não recebeu valores ligados às fraudes no INSS nem participou, de qualquer forma, dos crimes investigados. Segundo seu advogado, a quebra do sigilo bancário dos envolvidos não identificou qualquer vínculo financeiro entre ele e os fatos apurados.

“Apontamos também que todos os esclarecimentos pertinentes foram enviados ao Supremo Tribunal Federal, e Fábio Luís se colocou à disposição para qualquer consideração adicional que aquela corte considere necessária”, disse, em nota, o advogado Guilherme Suguimori.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal acontecem no âmbito da operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de benefícios do INSS.

Atualmente, a PF considera que a operação, cuja primeira fase foi deflagrada em abril de 2025, se encaminha para a sua metade final. Há suspeitas que recaem sobre eventuais operadores e beneficiários do esquema, inclusive advogados.

No entanto, a operação ainda pode render desdobramentos com delações premiadas que têm sido negociadas. Uma delas é com o empresário Maurício Camisotti, um dos principais operadores do esquema.

Camisotti foi preso em setembro do ano passado, junto com o Careca do INSS. Ele discute a possibilidade de fechar um acordo com a PF.

Numa fase da operação realizada no fim do ano passado, a PF afirmou ter detectado pagamentos de R$ 300 mil feitos por ordem do Careca à empresária amiga de Lulinha. No total, Roberta Luchsinger teria recebido, em parcelas, R$ 1,5 milhão do lobista.

Em mensagens relatadas pelos investigadores, o Careca do INSS pede a um operador que faça o pagamento de uma parcela de R$ 300 mil a uma empresa em nome de Roberta, a RL Consultoria e Intermediações.

O operador pergunta quem seria o destinatário do dinheiro. O Careca responde que seria “o filho do rapaz” e, em seguida, recebe o comprovante do pagamento para a empresa de Roberta.

À época, a PF avaliava a suspeita de que ele se referia a Lulinha e que o filho do presidente poderia ser um sócio oculto do Careca.

A defesa de Roberta diz, desde a ocasião, que sua empresa atua com a prospecção e intermediação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras “e, nesse âmbito, foi procurada no ano passado pela empresa Brasília Consultoria Empresarial S/A, de Antônio Carlos Camilo Antunes, para atuação na regulação do setor de empresas de canabidiol”.

Os advogados apontam que houve apenas tratativas iniciais que não chegaram a prosperar, e que elas aconteceram antes das revelações dos desvios de descontos do INSS.

As investigações sobre Lulinha, então, avançaram no sentido de descobrir se Roberta fazia pagamentos a ele, bancando viagens feitas pelo filho do presidente, por meio de repasses do Careca.

A defesa dela tem negado irregularidades e dito que é “risível a tese de que se tentou ‘lavar dinheiro’ por meio de viagens ao exterior –o que representaria a fruição do valor e não sua circulação para fins de ocultação ou dissimulação”.

Os advogados também têm insistido ao ministro André Mendonça que abra apuração sobre o vazamento de informações detalhadas da investigação.

A operação Sem Desconto, conduzida pela PF em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União), apura um esquema de fraudes que teria desviado cerca de R$ 6,3 bilhões de beneficiários do INSS entre 2019 e 2024.

A fraude consistia em descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões —cobranças feitas por entidades de fachada que não prestavam os serviços prometidos, como convênios médicos ou auxílio funerário. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

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