Quinta-feira, 23 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 21 de abril de 2026
O Banco do Brasil começou o ano em ritmo lento, quase parando, nas contratações de crédito imobiliário no segmento que conta com recursos originados na caderneta de poupança. O BB concedeu R$ 89 milhões nessa linha nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, montante 91% menor que o realizado no mesmo período de 2025, quando somou R$ 1 bilhão. O resultado foi bem inferior ao do mercado em geral, que teve retração de 7,6%, de acordo com levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
A perda de fôlego do BB não é de agora, mas aprofundou-se. Em dezembro de 2025, o banco contratou R$ 92 milhões, redução de 90% na comparação anual. No ano inteiro de 2025, atingiu R$ 3,9 bilhões, baixa de 53%. Já o mercado como um todo diminuiu 13,4% no ano passado.
Esse enxugamento fez o BB cair da quinta para a sexta colocação entre os bancos que mais fazem empréstimos no segmento. Historicamente, o BB ocupa o quinto lugar no ranking, ficando atrás apenas de Santander, Bradesco, Itaú e da líder Caixa Econômica Federal. No ano passado, foi ultrapassado pelo BRB.
O que aconteceu? A reportagem perguntou ao BB qual a razão para esse recuo expressivo, mas a instituição não deu uma explicação. Em vez disso, afirmou que tem um portfólio amplo de linhas de crédito imobiliário que combina a caderneta de poupança e outras fontes, como FGTS, LCIs, recursos próprios e do programa Ecoinvest. Somando todas as linhas, o BB desembolsou R$ 580 milhões no primeiro bimestre. Para 2026, disse que a perspectiva geral para as contratações é positiva.
No mercado, a leitura é que o Banco do Brasil tem por tradição direcionar os recursos captados pela poupança para o financiamento do agronegócio, enquanto a linha de crédito para habitação fica na prateleira para um público mais restrito. “Atualmente suas taxas estão acima das praticadas pelos demais bancos, o que pode ter ocasionado essa redução”, afirmou, reservadamente, um agente do setor. Além disso, investidores têm tirado dinheiro da poupança para colocar em aplicações mais rentáveis, reduzindo a oferta de recursos disponíveis na caderneta para o financiamento.
No BB, o crédito imobiliário com recursos da caderneta parte de 11,74% a.a. + Taxa Referencial (TR). Na Caixa, parte de 10,8% a.a. + TR. No Bradesco e Santander, por exemplo, começam em 11,70% a.a. + TR. Em todos os casos, essas são as taxas iniciais, variando de acordo com perfil do cliente, prazo e relacionamento.
Carteira recuou 3% em 2025
O BB fechou 2025 com uma carteira de financiamento imobiliário de R$ 46,7 bilhões, uma queda de 3% em relação a 2024. A taxa média da carteira era de 7,02% (influenciada por juros subsidiados pelo FGTS, no Minha Casa Minha Vida). O volume representa uma fração do saldo de R$ 938 bilhões registrados pela Caixa Econômica Federal.
Nos pares privados, a linha é encarada como um instrumento para ampliar a principalidade, ou seja, o grau com que o cliente usa uma conta como principal banco. No BB, o foco recai sobre o crédito rural, que enfrentou uma escalada da inadimplência no último ano, diante da escalada de juros, volatilidade nos preços de commodities e eventos climáticos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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