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Futebol Confederação Brasileira de Futebol reuniu em um hotel no Rio representantes de todos os clubes das Séries A e B para começar a discutir a criação de uma liga única do futebol brasileiro

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A entidade não abre mão de participar da discussão e quer ter protagonismo na futura liga. (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Na semana passada, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu reunir em um hotel no Rio de Janeiro representantes de todos os clubes das Séries A e B para começar a discutir, com um certo atraso, a criação de uma liga única do futebol brasileiro.

A entidade não abre mão de participar da discussão e quer ter protagonismo na futura liga, caso ela seja mesmo constituída. A expectativa é de que arbitragem, calendário, fair play financeiro e o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) sigam sob controle da confederação. Até por isso, meses atrás, lançou um sistema de sustentabilidade financeira para o futebol brasileiro e iniciou o processo de profissionalização dos árbitros.

A Libra e a Futebol Forte União (FFU), blocos criados para vender os direitos comerciais dos clubes no Brasileirão, têm se aproximado da CBF, que, porém, não convidou representantes dos grupos.

Nem o publicitário Silvio Matos, CEO da Libra, nem Livemode, Alvarez & Marsal, XP Investimentos e Sports Media – empresas com diferentes papéis dentro da FFU – foram chamados para o encontro.

A CBF entende que se relaciona apenas com seus filiados para discussões desse porte e que Libra e FFU funcionam, hoje, como grupos que negociam direitos comerciais. Por isso, no convite, estavam apenas os nomes de cada presidente ou CEO dos clubes.

De concreto, a confederação não quer que o campeonato de futebol mais importante do País seja gestado sem que ela também seja protagonista.

E alega que pode ajudar “na construção de um produto melhor”, nas palavras de Helder Melillo, diretor executivo da CBF, segundo o qual a entidade deve coordenar e mediar a formação da liga. “Nada do que desejamos para o futebol brasileiro será possível sem união. Não haverá avanço sem união. E união exige maturidade, diálogo e concessões de todos os lados”, disse o vice-presidente da CBF, Gustavo Dias.

Na apresentação, a CBF usou como base de comparação as três mais importantes ligas do mundo: Premier League, da Inglaterra, La Liga, da Espanha, e Bundesliga, da Alemanha. As três são consideravelmente mais valiosas do que o Brasileirão, considerado subvalorizado pela própria confederação, que realizou um estudo sobre os problemas do futebol brasileiro, mas não detalhou como a liga poderia crescer e ampliar suas receitas.

“Quando os clubes estão divididos, muita receita fica na mesa, e o objetivo de juntar os clubes é explorar todos os ativos comerciais e fazer com que isso volte para o bolso dos clubes”, disse o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, presente na reunião.

Calendário, comunicação, êxodo de talentos, governança, infraestrutura de estádios, marketing, sustentabilidade financeira e transmissão são alguns dos pontos citados e que carecem de melhorias.

A CBF, seguindo o modelo já adotado em áreas como arbitragem e fair play financeiro, estabeleceu um cronograma de trabalho para a criação da liga brasileira e definiu os próximos passos até o fim do ano. Entre maio e julho, será realizada a coleta de sugestões dos clubes e a elaboração das propostas. Nos meses de agosto e setembro, essas propostas serão apresentadas, ajustadas e submetidas à aprovação. Por fim, entre outubro e dezembro, ocorrerá a redação do estatuto da liga e as discussões comerciais que darão forma definitiva ao novo projeto.

A FFU decidiu criar um comitê de negociação para se aproximar da CBF e da Libra. A ideia da FFU é identificar pontos em comum entre os dois grupos e intensificar conversas para a criação da liga única de clubes que substituiria o Brasileirão no futuro.

Integrantes do bloco se reuniram na última segunda-feira. A ideia original do encontro era discutir a entrada do Grêmio no grupo, mas os planos mudaram depois que dirigentes gremistas recuaram e que times que integram o bloco alegaram que não poderia haver deliberação sobre o tema porque não teria havido antecedência mínima de oito dias da convocação para a assembleia. No entanto, o estatuto foi alterado no final de dezembro e passou a prever três dias de antecedência mínima.

No documento, a FFU cita experiências internacionais para argumentar que ligas unificadas “geram receitas e oportunidades muito superiores às atualmente observadas no futebol brasileiro”. Também dizem que “é necessário superar o formato atual de dois blocos comerciais, que limita a capacidade de avanço coletivo”.

Entre os próximos passos, estão constituir um comitê de negociação para estudar a viabilidade da formação de uma liga única e encontrar soluções para uma interlocução imediata com clubes, Libra e CBF.

Na FFU, estão 32 times, sendo 10 da Série A do Campeonato Brasileiro. São eles: Athletico-PR, Botafogo, Chapecoense, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Fluminense, Internacional, Mirassol e Vasco.

A Libra também tem 10 equipes que disputam o Brasileirão: Atlético-MG, Bahia, Flamengo, Grêmio, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Remo, São Paulo, Santos, Vitória. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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