Terça-feira, 30 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 22 de abril de 2026
Horas antes do fim do prazo dado por ele mesmo para um cessar-fogo na guerra contra o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a extensão por tempo indeterminado da trégua, para que os iranianos apresentem uma proposta unificada. Foi o desfecho, ao menos temporário, para um perigoso impasse sobre o futuro do conflito, e que marcou ao menos o sétimo recuo de Trump em uma guerra na qual se declara vencedor.
O Irã, por sua vez, disse nessa quarta-feira (22) que não respeitará mais o cessar-fogo no Oriente Médio e cancelará as negociações de paz caso os Estados Unidos não suspendam o bloqueio naval atualmente em vigor na entrada do Estreito de Ormuz.
O ultimato foi dado pelo principal negociador nas tratativas com os EUA, o também presidente do Parlamento iraniano Mohammad Bagher Ghalibaf. Ghalibaf disse em uma publicação em suas redes sociais que um cessar-fogo total só faz sentido se não for “violado” pelo bloqueio dos portos iranianos pelos Estados Unidos.
Há dez dias, o governo de Donald Trump anunciou que navios de guerra dos EUA começariam a bloquear a passagem de navios com relações com o Irã na entrada do Estreito de Ormuz. A medida foi uma retaliação à resistência do Irã de reabrir o tráfego naval no estreito.
Na semana passada, ao anunciar ter acordado um cessar-fogo com o Irã, Trump afirmou que manteria o bloqueio até um acordo para o fim total da guerra, que negociadores de ambos os lados tentam travar.
O presidente iraniano, Masoud Pesezhkian, afirmou nessa quarta que o bloqueio também pode impedir a continuidade das negociações. As próximas conversas estão marcadas para este fim de semana, mas o Irã ainda não confirmou que mandará seus negociadores.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira (22) que apreendeu duas embarcações comerciais no Estreito de Ormuz e as direcionou para a costa iraniana.
Os navios são o MSC Francesca e o Epaminondas, que navegavam sob bandeiras do Panamá e da Libéria, respectivamente, segundo comunicado do braço militar iraniano divulgado pela agência estatal Tasnim.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não estipulou um novo prazo específico de duração do cessar-fogo. Foi o que disse nessa quarta-feira (22) a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. Ela também afirmou que Trump não considera que a apreensão de dois navios no Estreito de Ormuz por parte do Irã tenha sido uma violação à trégua:
“Não eram navios americanos, não eram navios israelenses. Eram dois barcos internacionais. Os iranianos estão agindo como um bando de piratas. A marinha irianiana está praticamente extinta. O Irã não tem controle no Estreito”.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA afirma que suas forças interceptaram 29 embarcações iranianas desde o bloqueio no Estreito de Ormuz, causando colapso a economia do país. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse as ameaças norte-americanas e o bloqueio naval são os principais obstáculos a uma negociação de paz definitiva.
Líbano e Israel
Uma nova rodada de negociações em Washington entre os embaixadores do Líbano e de Israel está prevista para ocorrer nesta quinta-feira (23). O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deve participar da reunião, que ocorre um dia após ataque israelense matar a jornalista libanesa Amal Khalil no sul do Líbano.
O ataque também feriu uma fotógrafa que acompanhava Khalil, segundo um alto oficial militar libanês e o empregador da jornalista, o jornal Al-Akhbar.
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que a embaixadora libanesa em Washington, Nada Moawad, pedirá a extensão do cessar-fogo e o fim das demolições realizadas por Israel em vilarejos do sul.
Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo de dez dias em 16 de abril. O anúncio foi feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Um funcionário libanês disse que Beirute quer a extensão da trégua como pré-condição para ampliar as negociações além do nível de embaixadores, avançando para uma próxima fase em que o Líbano pressionaria pela: Retirada israelense; Devolução de libaneses detidos em Israel; e Definição da fronteira terrestre.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse em discurso que o país tomou uma “decisão histórica de negociar diretamente com o Líbano após mais de 40 anos”, ao mesmo tempo em que chamou o país de “Estado falido”.
“Vamos trabalhar juntos contra o Estado terrorista que o Hezbollah construiu em seu território”, disse Saar, dirigindo-se ao Líbano.
Líbano e Israel permanecem oficialmente em estado de guerra desde a criação de Israel, em 1948.
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!