Terça-feira, 28 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 27 de abril de 2026
O CEO do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, calcula um encolhimento de, no mínimo, um terço do tamanho da instituição após a crise de capital e de liquidez gerada pelo envolvimento do banco estatal no escândalo do Banco Master.
“Já está menor”, admitiu Souza em entrevista ao C-Level, videocast da Folha de S.Paulo. “Vamos ficar num tamanho em que o banco fique confortável para cumprir o papel para o qual foi criado: desenvolver Brasília e região.”
Segundo o executivo, o BRB precisa da ajuda do Tesouro Nacional para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões solicitado ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e a um grupo formado por grandes bancos —seu plano A para sair da crise. “Eu defendo que, em nome do sistema financeiro brasileiro, pudéssemos ter o aval”, diz.
Para isso, o governo do Distrito Federal, acionista controlador do BRB, deverá formalizar um pedido ao governo Lula. “Creio que possamos chegar a um entendimento. Acredito que nós vamos evoluir para isso”, afirma.
Ele reconhece que o ano eleitoral tem dificultado a saída da crise. A governadora do DF, Celina Leão (PP), pertence a um campo político adversário do PT em Brasília. “Nós já poderíamos estar lá na frente caso tivesse despolitizado um pouco tudo isso”, diz.
Na entrevista, Souza fala das alternativas trabalhadas pelo banco e admite que poderá ter de fazer novos provisionamentos (reserva financeira para cobrir perdas) devido aos ativos ruins adquiridos do Master —o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em carteiras fraudulentas, mas as perdas podem ser maiores. Apesar da turbulência, ele manda um recado: “Para quem acha que o BRB vai quebrar e que vai aproveitar para levar esse banco, eu quero dizer que isso não vai acontecer”.
O atual presidente do BRB evita falar de seu antecessor, Paulo Henrique Costa, que está preso por suspeita de ter recebido propina de Daniel Vorcaro, mas prevê novos desdobramentos a partir dos achados feitos pela auditoria independente. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
– Qual é o tamanho do prejuízo com o Master? “Nós fizemos uma provisão de R$ 8,8 bilhões. Não quer dizer que seja o prejuízo. E solicitamos junto ao FGC (um empréstimo) de R$ 6,6 bilhões. Não ficamos apenas com essa opção de capitalização. Temos outras opções também.”
– Há necessidade de provisionar mais? “A carteira que sobrou do Master no BRB foi de R$ 21,9 bilhões. Na proporção em que esses ativos vão ficando dentro da casa, vão também criando novas provisões. Vendemos R$ 1,9 bilhão para investidores qualificados do mercado. Permaneceram R$ 20 bilhões, que fizemos com a Quadra Capital um FIDC (Fundo de Investimento em Direito Creditório), de R$ 15 bilhões. Todas essas perdas são oriundas da carteira (adquirida) do Master, R$ 2,6 bilhões (de prejuízo) são da Tirreno, que é pó, não existe lastro, ali é prejuízo. As demais são carteiras que existem e, por algum motivo, provisionamos, porque o fluxo (de pagamento) não estava chegando. É possível provisionar (mais) caso nós encontremos (ativos problemáticos) dentro desses R$ 20 bilhões que estão sendo transferidos para o FDIC da Quadra Capital, mas em tempos e movimentos diferentes. Pode ocorrer? Pode. Mas não acreditamos que tenhamos mais grandes provisões.”
– Por que o BRB não diz o número do prejuízo? “Para se caracterizar (como prejuízo), precisa tentar recebê-lo e, a partir daí, dentro das regras contábeis tem um prazo para lançar. Nós estamos falando em (prejuízo), estamos falando em crédito em atraso. Nesses ativos que o BRB recebeu tem de tudo: restaurantes, terreno, cemitérios, terras raras.”
– Qual é o impasse para destravar o empréstimo com o FGC? “Falta definirmos quais são as garantias. Primeiro, os imóveis que foram aprovados pela Câmara Legislativa (do DF), com valores de R$ 6,5 bilhões. Tem alguns que não interessam muito, como o da Serrinha (do Paranoá), o próprio Centrad, mas os outros têm um potencial construtivo muito grande.”
– O sr. falou que o BRB já está menor? “O BRB está menor, mas está bem melhor do que antes do dia 18 de novembro de 2025 (data de deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero e da liquidação do Master). Nós tínhamos, quando da operação, R$ 80 bilhões de ativos. Ninguém sabe o quanto vai ficar desses R$ 21,9 (bilhões das carteiras do Master).”
– Dá para dizer que o banco vai diminuir um terço? “Eu acredito que o banco, no mínimo, ele vai diminuir um terço.” As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
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