Quarta-feira, 29 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 29 de abril de 2026
Celina Leão (PP) mantém a retórica de que o banco será salvo sob gestão estatal.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilO futuro do Banco de Brasília (BRB) esbarrou na seguinte encruzilhada: as limitações fiscais do Governo do Distrito Federal (GDF) e as ambições eleitorais de sua atual mandatária. Enquanto o setor financeiro consolida a visão de que a privatização é o único caminho para evitar o colapso da instituição, a governadora Celina Leão (PP) mantém a retórica de que o banco será salvo sob gestão estatal.
“Essa é uma questão superada. O BRB não será nem privatizado nem liquidado”, disse Celina. A resistência da governadora à privatização é estratégica. Brasília possui uma das maiores concentrações de funcionalismo público do País proporcionalmente, uma categoria que historicamente rejeita a venda de ativos estatais. O temor da governadora é que o selo de “privatizadora” custe sua reeleição.
Contudo, surge um novo cálculo entre agentes econômicos e políticos: o risco da liquidação. Se a privatização é impopular, o fim do banco e o prejuízo direto a correntistas e servidores seriam, nas palavras de interlocutores, o “enterro definitivo” da candidatura de Celina. A mensagem já chegou ao gabinete da governadora. Mas ela continua sustentando que não vai vender o banco. “Não há possibilidade nenhuma (de privatizar o banco). Estamos fazendo todos os esforços possíveis. O BRB é um banco sólido, que tem um nome nacional e o respeito dos bancos S1 (as instituições financeiras de maior porte)“, disse em entrevista ao Estadão.
Enquanto a solução não chega, para evitar a formalização de um balanço que confirme insolvência, o BRB tem atrasado a apresentação de seu balanço. A situação é agravada pela fragilidade do próprio GDF. Em 2025, as contas do Distrito Federal apresentaram um déficit orçamentário de R$ 926,5 milhões, limitando a capacidade do Tesouro local de realizar o aporte de capital necessário para salvar o banco.
Sem fôlego financeiro do governo e com a resistência do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) em conceder empréstimos, o Banco Central encontra-se sob pressão crescente para decretar uma liquidação extrajudicial. A despeito da crise de gestão, o BRB ainda é visto como valioso. Integrantes do setor financeiro avaliam que, se fosse colocado à venda hoje, o banco atrairia interessados rapidamente.
Esses interlocutores observam, por exemplo, que o BRB tem uma carteira de clientes com base fiel de servidores públicos e possui ativos estratégicos, com presença dominante no mercado imobiliário e de crédito consignado no Distrito Federal. À medida que a crise avança, Celina tenta separar sua imagem das cobranças feitas ao ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) sobre a situação do Banco Regional de Brasília.
“São dois CPFs totalmente diferentes, o meu CPF e o CPF do governador Ibaneis, cada um tem um. O que a oposição vai falar de mim pode ser rebatido facilmente porque o escândalo do Caso Master está dentro do coração do PT no Planalto”, afirmou. Entretanto, essa dissociação é um exercício de equilibrismo difícil de sustentar. A trajetória de Celina está intrinsecamente ligada à de Ibaneis, e o eleitorado enxerga a gestão atual como uma extensão direta da anterior.
No caso do BRB, o fardo herdado é pesado. Durante a gestão Ibaneis, o banco envolveu-se em investimentos questionáveis, incluindo a controversa tentativa de compra do Banco Master, realizada a despeito de alertas técnicos e recomendações contrárias. Mas o desfecho está no colo de Celina Leão. (Com informações do jornal O Estado de S. Paulo)
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