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Rio Grande do Sul Entenda o que diferencia a água de poços particulares e a fornecida pelo sistema público de abastecimento

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“Optar pela água tratada é optar por segurança”, ressalta a Corsan. (Foto: Divulgação/Corsan)

Com o avanço da captação subterrânea de água como resposta a eventos extremos, especialistas alertam para os riscos do uso de poços particulares sem controle técnico, sanitário e ambiental. O avanço da crise climática no Brasil tem acelerado uma transformação importante na forma como o País pensa o abastecimento do líquido mais precioso da natureza.

No Rio Grande do Sul, cenário da maior desastre natural da história recente do País, a diversificação das fontes de captação deixou de ser apenas uma alternativa operacional: passou também a integrar uma estratégia de resiliência hídrica necessária à garantia da continuidade e segurança nesse aspecto.

É nesse contexto que os poços profundos alcançaram protagonismo no âmbito dos sistemas públicos de abastecimento, como fontes complementares e capazes de aumentar a estabilidade operacional. Isso vale para períodos de estiagem severa, enchentes ou oscilações nos mananciais superficiais.

Junto a essa evolução, entretanto, cresce um movimento paralelo que preocupa especialistas, órgãos ambientais e autoridades sanitárias: a ampliação do uso de poços particulares sem o devido controle técnico e monitoramento contínuo – muitas vezes, fora dos critérios legais e ambientais exigidos para consumo humano.

A diferença entre esses dois modelos é profunda e vai muito além da origem da água. São níveis completamente distintos de segurança sanitária, controle ambiental, confiabilidade operacional e proteção da saúde pública. Trata-se de dois modelos de captação subterrânea, com níveis opostos de segurança.

Os poços operados pela Corsan integram um sistema público e estruturado. Fazem parte de uma matriz hídrica planejada, que combina diferentes fontes de captação para reduzir riscos operacionais e garantir estabilidade mesmo em cenários extremos.

Cada projeto é desenvolvido a partir de estudos hidrogeológicos detalhados, que avaliam a capacidade dos aquíferos, qualidade da água, profundidade ideal de exploração e limites sustentáveis de retirada, evitando impactos ambientais futuros.

Além disso, toda a operação é realizada sob critérios rigorosos de licenciamento ambiental, outorga de uso da água, monitoramento técnico permanente e controle automatizado em tempo real da vazão e da qualidade do líquido captado.

A água distribuída passa, ainda, por processos de tratamento e análises laboratoriais contínuas, atendendo aos padrões definidos pelo Ministério da Saúde e por órgãos reguladores. Diretora-presidente da Corsan, Samanta Takimi ressalta:

“Cada decisão é baseada em inteligência técnica, com estudos que asseguram que estamos utilizando apenas uma fração dos recursos disponíveis, sem comprometer o equilíbrio ambiental”.

Risco invisível

Na outra ponta, os chamados “poços caseiros” – ou “não certificados” – operam sem esse conjunto de garantias técnicas, sanitárias e ambientais. Sem estudos hidrogeológicos adequados, controle laboratorial contínuo licenciamento e monitoramento permanente, tais sistemas podem captar água contaminada, sem que isso seja perceptível ao consumidor.

A aparência cristalina da água subterrânea não significa segurança. Pode haver contaminantes invisíveis, como coliformes fecais, vírus, nitratos, agrotóxicos e metais pesados, substâncias associadas a infecções intestinais, hepatites, intoxicações e outros riscos à saúde. Muitos desses contaminantes não alteram cor, cheiro ou sabor da água, o que dificulta a percepção imediata do risco pela população.

Impacto coletivo

A diferença entre os dois modelos também se manifesta no impacto ambiental. Nos sistemas operados pela Corsan, a captação é dimensionada para representar apenas uma fração da capacidade dos aquíferos, respeitando sua recarga natural e garantindo a sustentabilidade das reservas no longo prazo.

Já a perfuração indiscriminada de poços particulares pode provocar rebaixamento do lençol freático, redução da disponibilidade hídrica regional e comprometimento do equilíbrio dos aquíferos. E isso afeta não apenas um imóvel, de forma isolada, mas toda a dinâmica hídrica da região.

Especialistas alertam que, sem controle técnico e sem planejamento integrado, o uso excessivo da água subterrânea pode gerar impactos cumulativos difíceis de reverter, especialmente em períodos de estiagem prolongada.

“Optar pela água tratada é optar por segurança”, destaca a diretora-presidente. “Existe uma cadeia inteira de responsabilidade por trás de cada copo de água que chega à casa das pessoas através das redes da Corsan.”

A experiência recente do Rio Grande do Sul reforçou uma mudança importante no setor de saneamento: garantir abastecimento em um cenário de extremos climáticos depende de sistemas resilientes, integrados e planejados.
Os poços profundos operados pela Corsan fazem parte dessa estratégia, atuando como complemento às fontes tradicionais e ampliando a capacidade de resposta da operação em momentos críticos.

No entanto, especialistas alertam que soluções individuais, sem controle técnico e integração ao planejamento hídrico podem produzir exatamente o efeito contrário: um aumento futuro dos riscos sanitários, ambientais e operacionais.

Em um cenário climático cada vez mais desafiador, segurança hídrica deixou de significar apenas acesso à água. Passou a ser sinônimode  acesso a água segura, monitorada, sustentável e operada com responsabilidade técnica e institucional. (Marcello Campos)

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