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Política Ex-líder do governo no Senado diz que reclamou para Lula de operação da Polícia Federal no caso do Banco Master

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Na avaliação do senador, houve uma tentativa de transformar a investigação em um espetáculo. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Um dia após deixar a liderança do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (PT-BA) fez críticas à condução da operação da Polícia Federal (PF) que o colocou no centro das investigações sobre o Banco Master. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o petista afirmou ter reclamado diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva da divulgação de fotografias feitas durante a busca e apreensão em seu apartamento funcional, em Brasília.

Segundo Wagner, a exposição das cédulas de moeda estrangeira apreendidas durante a operação contrariou a determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia autorizado o cumprimento dos mandados de forma discreta por causa do sigilo da investigação.

“Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF? Esse processo era comum na Lava-Jato”, afirmou. Na avaliação do senador, houve uma tentativa de transformar a investigação em um espetáculo e caberia à direção da Polícia Federal apurar o episódio.

Wagner contou que levou a insatisfação ao presidente Lula. Segundo ele, disse ao chefe do Executivo que não buscava proteção política, mas uma correção de procedimento. Também afirmou que a divulgação das imagens contribuiu para criar uma narrativa que associa seu nome ao escândalo envolvendo o Banco Master.

A entrevista foi concedida um dia depois de o senador anunciar sua saída da liderança do governo. Wagner afirmou que resistia à ideia de deixar o cargo porque entendia que isso poderia ser interpretado como admissão de culpa. A decisão mudou após uma conversa pessoal com Lula.

Segundo o petista, o presidente ponderou que ele precisaria concentrar esforços na própria defesa e questionou se seria possível conduzir simultaneamente esse trabalho e a articulação política do governo no Senado. Wagner disse que, diante desse argumento, optou por se afastar da função.

Ao comentar as investigações, o senador voltou a negar qualquer envolvimento em irregularidades ligadas ao Banco Master. Ele afirmou que conheceu o empresário Augusto Lima durante o processo de privatização da rede Cesta do Povo, na Bahia, e classificou como natural a relação entre agentes públicos e empresários.

“Desconheço prefeito ou governador que não converse com empresários”, declarou.

Wagner também negou que viagens em aeronaves particulares ou ingressos para eventos configurem favorecimento. Disse que já aceitou caronas de empresários, mas rejeitou a versão de que tenha recebido aeronaves à disposição.

Outro ponto abordado na entrevista foi o contrato firmado entre o Banco Master e uma empresa da qual sua nora é sócia. A Polícia Federal cita um pagamento de R$ 3,5 milhões como um dos elementos da investigação. Wagner afirmou que o valor divulgado corresponde apenas à rescisão contratual e disse que os pagamentos totais foram superiores, todos formalizados e registrados.

Segundo ele, a PF tenta construir a tese de que os recursos teriam sido destinados, na prática, ao senador. “Não caiu um centavo para mim”, afirmou.

O petista também comentou a suspeita de que teria negociado um apartamento com Augusto Lima. Disse que pretendia comprar o imóvel para presentear a filha, mas que a operação nunca foi concluída. Segundo Wagner, não houve transferência de propriedade nem qualquer benefício patrimonial.

Ao final da entrevista, o senador afirmou estar tranquilo em relação ao andamento das investigações e disse acreditar que a PF não conseguirá comprovar qualquer troca de favores entre ele e empresários investigados no caso Master. (Com informações do portal InfoMoney)

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