Sexta-feira, 03 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 3 de julho de 2026
A decisão atende a uma reivindicação antiga da Associação de Fabricantes de Automotores da Argentina.
Foto: Marcelo Camargo/ABrO governo da Argentina iniciou a redução gradual do imposto sobre a exportação de veículos e de outros produtos industriais, medida que deverá zerar a alíquota até junho de 2027. O objetivo é aumentar a competitividade da indústria local, impulsionar as exportações e ampliar a presença dos automóveis argentinos em mercados estratégicos, principalmente o Brasil, principal comprador dos veículos produzidos no país vizinho.
A redução começou neste mês e faz parte do pacote de medidas econômicas do presidente Javier Milei para diminuir a carga tributária sobre o setor produtivo. Atualmente, a alíquota incidente sobre as exportações de veículos é de 4,5% e será reduzida em 0,375 ponto percentual por mês até ser completamente eliminada. A política também alcança segmentos como os de produtos petroquímicos, químicos, borracha e máquinas industriais.
Em comunicado, o governo argentino afirmou que a iniciativa busca “proporcionar alívio fiscal às empresas e aumentar a competitividade das indústrias e do setor produtivo argentino no exterior”. A expectativa é que a redução dos custos estimule investimentos, preserve empregos e fortaleça as exportações do país.
O Brasil deverá ser o principal mercado beneficiado pela medida. Cerca de 70% das exportações da indústria automotiva argentina têm como destino o mercado brasileiro, resultado da integração produtiva entre os dois países no âmbito do Mercosul. Modelos como Toyota Hilux, Ford Ranger, Volkswagen Amarok, Fiat Cronos, Fiat Titano, Peugeot 208 e Peugeot 2008 estão entre os veículos fabricados na Argentina e comercializados no Brasil.
A decisão atende a uma reivindicação antiga da Associação de Fabricantes de Automotores da Argentina (Adefa). O presidente da entidade, Rodrigo Pérez Graziano, comemorou o anúncio e afirmou que a previsibilidade é essencial para o planejamento da indústria.
“Foi estabelecido um caminho claro e previsível que se estenderá até meados de 2027. A certeza nas regras do jogo é uma condição essencial para que os fabricantes locais planejem seus planos de produção, exportação e investimento”, declarou.
Apesar da redução da carga tributária, especialistas avaliam que o impacto sobre os preços dos veículos vendidos no Brasil deverá ser limitado. O professor Ricardo Balistiero, do Instituto Mauá de Tecnologia, estima que a diminuição do custo para as montadoras será próxima de 2%, percentual que pode não ser integralmente repassado ao consumidor.
“A diminuição dos preços ainda é muito pequena perto da competitividade dos carros chineses que entram no Brasil. Não consigo enxergar grande reflexo sobre nossa economia”, afirmou.
Para o especialista em reforma tributária Vitor Pina, da CLA Brasil, a medida corrige uma distorção existente no sistema tributário argentino.
“São pouquíssimos os países que cobram imposto sobre exportação de veículos. Na prática, a Argentina não está criando uma vantagem competitiva; está eliminando uma desvantagem que existia em relação aos demais produtores”, explicou.
O setor automotivo representa uma das principais atividades industriais da Argentina, respondendo por parcela significativa das exportações do país. Com a redução gradual do imposto, o governo Milei aposta no fortalecimento da indústria nacional e na ampliação das vendas externas em um cenário de maior concorrência internacional, especialmente diante do avanço das montadoras chinesas nos mercados da América Latina.
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