Segunda-feira, 06 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 6 de julho de 2026
Tentando atrair uma parcela da população que representa mais da metade do eleitorado, os pré-candidatos à Presidência ampliaram os acenos às mulheres. Em busca da reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a divulgação de medidas voltadas ao segmento, mas enfrenta críticas pela falta de avanços concretos durante a gestão.
Na oposição, em meio à crise com a madrasta, Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta reduzir a resistência ao seu nome com novas propostas e procura uma vice mulher. Ronaldo Caiado (PSD) concentra o discurso na segurança pública, enquanto Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) buscam estratégias para conquistar o voto feminino.
As mulheres representam 52,47% do eleitorado, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas seguem sub-representadas nos cargos eletivos. Há um ano, Lula passou a incluir em quase todos os discursos o combate à violência contra a mulher. Na quinta-feira, por exemplo, defendeu o aumento da pena para homens que matam mulheres.
A estratégia da campanha petista será destacar ações de combate à violência doméstica, igualdade salarial e ampliação dos serviços do Sistema Único de Saúde voltados às mulheres, sempre comparando essas iniciativas ao tratamento dado ao tema no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Indecisas
Na campanha de Lula, a avaliação é que o apoio feminino, especialmente nas classes C, D e E, será decisivo. A equipe também aposta que a disputa entre Flávio e Michelle poderá empurrar eleitoras indecisas para o campo lulista.
“Todas as políticas construídas pelos governos do PT trataram diretamente da vida concreta das mulheres”, afirma a vereadora paulistana Luna Zarattini (PT), integrante da coordenação da campanha.
Apesar do discurso, o Ministério das Mulheres teve pouco protagonismo no terceiro mandato de Lula e não conseguiu implementar políticas de maior alcance. O desempenho levou à substituição de Cida Gonçalves por Márcia Lopes, em maio de 2025. A nova ministra passou a priorizar ações de combate à violência de gênero.
No governo Lula, o país registrou o primeiro trimestre mais letal para as mulheres desde 2015. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março — uma mulher assassinada a cada 5 horas e 25 minutos.
Para fortalecer a agenda feminina, Lula ampliou a participação de mulheres no núcleo da campanha em relação a 2022. Integram o grupo Luna Zarattini, a secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, Lucinha do MST e a secretária de Juventude do partido, Júlia Köpf.
Ainda sem papel definido, a primeira-dama Janja da Silva participará das discussões sobre o tema. Na terça (30), ela rebateu, sem citar diretamente, a declaração do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, que afirmou que mulheres “votam muito mal”.
No campo da oposição, integrantes da pré-campanha de Flávio avaliam que a segurança pública continuará sendo o principal eixo do discurso, mas reconhecem que, sozinha, ela não basta para ampliar sua competitividade entre as mulheres.
A estratégia passou a combinar o endurecimento no combate à criminalidade com propostas voltadas à autonomia financeira, geração de renda e valorização do trabalho de cuidado, temas que, segundo aliados, aparecem com frequência nas pesquisas qualitativas.
A necessidade de fortalecer essa agenda aumentou após a crise pública com Michelle, que divulgou um vídeo dizendo ter sido “humilhada” pelo enteado durante a disputa por palanques no Ceará.
No entorno de Flávio, a avaliação é que o episódio reforçou a necessidade de construir uma agenda positiva. O cenário piorou após a fala de Paulo Figueiredo, e aliados admitem que a declaração dificultou a aproximação com um eleitorado hoje majoritariamente refratário ao senador. Ao abrir, na semana passada, um encontro com mulheres da campanha, Flávio reconheceu essa dificuldade e assumiu responsabilidade pelo quadro.
Outros
Nas últimas semanas, Flávio passou a defender com mais frequência a escolha de uma mulher para compor sua chapa. Entre os nomes citados por aliados estão Daniella Marques, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Simone Marquetto (PP-SP), embora nenhuma confirme ter recebido convite.
Entre os demais presidenciáveis, a campanha de Caiado passou a veicular inserções na televisão sobre combate à violência doméstica e ao feminicídio, nas quais afirma que “quando esses criminosos são agressores de mulheres, tenho ainda mais mão pesada”. Em eventos, também costuma dizer que “em briga de marido e mulher, mete algema”.
Apesar disso, Caiado não ampliou a participação feminina na formação da chapa. Após meses de discussões sobre uma vice mulher, escolheu o presidente do PSD, Gilberto Kassab.
No caso de Romeu Zema (Novo), a campanha afirma que não criará um programa específico para mulheres. A estratégia será abordar temas como segurança pública, emprego, renda, educação e creches dentro do programa geral de governo.
Já o pré-candidato do Missão, Renan Santos, diz que também não fará acenos específicos ao eleitorado feminino. A campanha prioriza propostas como endurecimento das penas para violência doméstica, combate ao abandono parental, ampliação de escolas em tempo integral e medidas para garantir o pagamento de pensão alimentícia, especialmente às mães solo. (Com informações do jornal O Globo)
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