Sábado, 11 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 10 de julho de 2026
Os sucessivos recordes de calor na Europa Ocidental estão alinhados com uma tendência preocupante: nas últimas três décadas, a região vem aquecendo mais rápido do que qualquer outro continente.
As temperaturas médias na região subiram cerca de 0,56°C por década desde meados da década de 1990, mais que o dobro do ritmo de aquecimento mundial, de acordo com o Copernicus, o serviço de monitoramento climático da União Europeia.
As emissões de dióxido de carbono e outros gases que retêm calor provenientes da atividade humana estão impulsionando o aumento de longo prazo nas temperaturas do planeta, o que está ajudando as ondas de calor a atingir extremos cada vez maiores de intensidade e duração.
Mas fatores locais determinam como todo esse excesso de calor é distribuído ao redor do mundo e por que as temperaturas estão subindo mais rápido em alguns lugares do que em outros.
No extremo norte da Europa, por exemplo, a atmosfera mais quente está derretendo o gelo marinho que antes cobria vastas extensões do Ártico. Isso deixa mais da superfície escura do oceano exposta para absorver a energia do sol, agravando o aquecimento nos arredores.
Os controles de poluição são outro fator por trás da rapidez do aquecimento na região. As restrições às emissões industriais são boas para a saúde dos europeus, mas também fazem com que o ar tenha menos aerossóis, partículas que refletem a radiação solar de volta para o espaço.
Em uma espécie de loop, o aumento da temperatura global também faz com que haja menos neve no solo para desviar a energia do sol. No ano passado, a quantidade de solo coberto por neve na Europa estava, em seu pico anual, cerca de um terço abaixo da média, de acordo com o Copernicus. O resultado é mais solo exposto absorvendo calor, especialmente na Escandinávia e na parte europeia da Rússia.
Essas mudanças em terra e no mar estão modificando, ainda, a forma como o ar se move sobre a Europa. Isso pode estar tornando as ondas de calor extremas mais frequentes.
A diferença de temperatura entre o calor da região da linha do equador e o frio do Polo Norte é um dos principais motores do clima em todo o Hemisfério Norte. Mas quando há menos neve no solo na Europa a cada ano e menos gelo no mar, essa diferença de temperatura diminui.
Isso pode estar redirecionando a corrente de jato —o cinturão de fortes ventos de oeste (também conhecidos como contra-alísios) que conduz o clima— e produzindo ondas de calor prolongadas no verão no continente, conforme cientistas demonstraram em um estudo de 2020.
Pesquisadores também descobriram que, nas últimas décadas, a corrente de jato também tem se dividido com mais frequência em dois ramos sobre a Europa, criando uma área de ventos fracos onde o calor pode ficar preso por dias.
Normalmente, a corrente de jato mantém o ar marítimo fresco que vem do Atlântico soprando para a Europa. Mas quando a corrente se divide, o ar de alta pressão entre os dois ramos redireciona esse movimento normal das frentes climáticas. Isso pode transformar o que de outra forma seriam apenas alguns dias escaldantes de verão em uma onda de calor de semanas, com consequências mortais.
Em um estudo de 2022, pesquisadores descobriram que quase todo o aumento recente na frequência e intensidade das ondas de calor na Europa Ocidental estava ligado à duração mais longa desses padrões de “jato duplo”. No entanto, ainda é incerto se as mudanças climáticas estão tornando os jatos duplos mais persistentes ou frequentes.
Na onda de calor de 2003 que matou até 70 mil pessoas em toda a Europa, o jato duplo permaneceu ativo por 29 dias. Mesmo que o calor atual não seja tão duradouro, já está reescrevendo os livros de recordes —e não por pequenos incrementos, mas por grandes saltos.
“Esperamos temperaturas crescentes e a quebra de recordes de temperatura devido às mudanças climáticas”, disse Lizzie Kendon, cientista climática da Universidade de Bristol, na Inglaterra. O que tem sido “extraordinário” durante as ondas de calor atuais, ela disse, são as margens pelas quais os recordes anteriores estão sendo superados. As informações são do jornal The New York Times.
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