Terça-feira, 14 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 14 de julho de 2026
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teve mais um revés político ao ser impedido judicialmente, pelo prazo de 90 dias, de visitar o seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. A ordem, dada por Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tira a linha direta de diálogo entre eles durante toda a campanha do primeiro turno, o que pode prejudicar as articulações de palanques do PL.
Na decisão, Moraes indica que Jair Bolsonaro descumpriu medidas de restrição por ter se comunicado “indiretamente” por meio das redes sociais. Isso teria ocorrido quando Flávio divulgou, no sábado (11), uma carta escrita pelo patriarca do clã nomeando-o seu “porta-voz” e sucessor no pleito deste ano. A manifestação, segundo aliados, foi uma tentativa de afastar a crise iniciada a partir da briga entre o filho e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Propaganda antecipada
Pela decisão que suspendeu as visitas, a comunicação entre ambos só poderia ser restabelecida após o dia 11 de outubro — entre o primeiro e segundo turno da eleição.
No início da noite, Flávio qualificou a decisão como uma tentativa de interferência na eleição. Já seus advogados afirmaram que a ordem de Moraes é ilegal. Aliados também relembraram que Luiz Inácio Lula da Silva, quando estava preso, apontou Fernando Haddad para concorrer em seu lugar, em 2018, justamente por meio de uma carta divulgada em transmissão ao vivo.
“É algo desproporcional, configura tentativa de Alexandre de Moraes de interferir nas eleições deste ano. Eu só poderia voltar a falar com o presidente Jair Bolsonaro depois do primeiro turno das eleições deste ano. Alguém acha que isso é uma coincidência? Qual o critério para esses 90 dias?”, questionou Flávio em transmissão ao vivo nas redes sociais.
Na mesma decisão, Moraes determinou que a defesa do ex-presidente esclareça, em 48 horas, se ele tinha conhecimento de que o documento seria divulgado nas redes do filho. O magistrado também despachou o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada.
Na avaliação de Moraes, Flávio utilizou uma visita ao pai para obter a carta e burlou a proibição imposta de uso de plataformas. A medida cautelar integra as condições da prisão domiciliar humanitária concedida a Jair Bolsonaro em março e mantida no início deste mês.
Na carta, Bolsonaro pede que seus apoiadores se unam em torno da pré-candidatura presidencial do filho e o apresenta como “a melhor opção para livrar o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento”, escreve.
No despacho, Moraes destaca a convocação feita por Flávio nas redes sociais para a leitura da carta. “A afirmação de seu filho Flávio Nantes Bolsonaro — ‘É imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação’ — sugere que o sentenciado (Jair Bolsonaro) tinha plena ciência de que sua carta seria divulgada em redes sociais”, afirmou Moraes.
Aliados de Flávio afirmam que o pré-candidato não consultou integrantes de sua equipe jurídica antes de divulgar o documento. Segundo interlocutores do senador, a iniciativa de escrever e divulgar um comunicado aos apoiadores partiu do próprio ex-presidente, que queria dar um basta às disputas em torno de sua sucessão, inclusive aos atritos que vinham envolvendo integrantes da própria família. Interlocutores afirmam que, ao aceitar divulgar a carta, Flávio não cogitou a hipótese de que o texto pudesse trazer prejuízo ao pai.
A avaliação de Michelle Bolsonaro, porém, foi diferente. Aliadas relatam que ela “ficou aflita” no fim de semana e demonstrou preocupação com a carta.
“Desde que vimos alguns comentários na internet ela ficou aflita. Ela tem se esforçado ao máximo para que todas as medidas sejam cumpridas”, disse a senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Segundo Damares, a ex-primeira-dama tem receio de que a carta possa representar uma reversão da prisão domiciliar e que o marido volte a cumprir pena em regime fechado.
“Ela (Michelle) lutou por esta domiciliar, pois ela sabe que ele não pode ficar na cadeia por causa da saúde. Ela teme que ele volte caso alguma medida seja descumprida. É esta a preocupação. Ela vive em constante vigilância e cuidado”, disse Damares.
A equipe jurídica de Flávio afirma que a medida viola dispositivos da Lei de Execução Penal que garantem ao preso o direito de receber visitas de familiares e de manter comunicação com o mundo exterior.
Integrantes da campanha ficaram divididos. Um grupo avalia que a suspensão das visitas representa um prejuízo para a campanha porque Bolsonaro seguia articulando palanques estaduais e ajudava a arbitrar divergências políticas.
Já outra ala faz uma leitura diferente: o ex-presidente já transmitiu ao filho suas principais orientações sobre alianças e preferências nos estados, o que permitirá a Flávio conduzir a campanha com maior autonomia. (Com informações do jornal O Globo)
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