Sábado, 25 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de julho de 2026
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou nessa sexta-feira (24) que a instituição pretende manter a taxa de juros em nível restritivo por um período prolongado para garantir a convergência da inflação à meta.
Durante participação na Expert XP, Galípolo afirmou que os efeitos da política monetária estão ficando cada vez mais evidentes na economia, mas ressaltou que o BC continuará acompanhando os indicadores antes de qualquer mudança de rumo.
“Não vamos reagir em função de um dado específico”, disse.
Segundo ele, a restrição monetária “vai pesando gradativamente” sobre a atividade econômica e isso recomenda a manutenção dos juros elevados por mais tempo.
Galípolo também afirmou que as expectativas de inflação continuam sendo motivo de preocupação para a autoridade monetária.
“Temos uma preocupação adicional com as expectativas, que desancoraram um pouco mais”, afirmou. Segundo ele, há discussões sobre se as projeções para 2028 refletem fatores atuais ou riscos ainda futuros.
O presidente do BC ressaltou ainda que, quanto mais aquecida estiver a economia, maior tende a ser o risco de efeitos secundários sobre a inflação após choques de oferta, como problemas climáticos ou altas nos preços de commodities.
Impacto dos juros
Galípolo também comentou os efeitos da Selic sobre o mercado de crédito. Segundo ele, o fato de parte da dívida das famílias ser pouco sensível aos juros não significa que a política monetária tenha perdido eficácia.
“[O baixo efeito da Selic sobre a dívida das famílias] não quer dizer que a política monetária não esteja cumprindo sua função”, afirmou.
Ele explicou que uma parcela importante do endividamento das famílias está concentrada em linhas de crédito sem garantia, cuja dinâmica difere de modalidades tradicionais de financiamento.
O presidente do BC citou ainda que, desde a pandemia, diversos países registraram aumento no uso do cartão de crédito e que, no Brasil, esse movimento foi intensificado pela expansão do Pix e pela entrada de novos consumidores no sistema financeiro.
Para as empresas, Galípolo disse que as decisões de investimento variam conforme o perfil de cada companhia, enquanto pequenas e médias empresas enfrentam mais dificuldades para acessar crédito barato devido às características das garantias exigidas.
Projeções
Durante o painel, Galípolo também defendeu uma comunicação mais cautelosa por parte dos bancos centrais em um cenário de maior incerteza.
Segundo ele, é importante abandonar a ideia de que a mediana das projeções representa um consenso absoluto e reconhecer que diferentes cenários podem coexistir.
O presidente do BC afirmou ainda que o mercado costuma trabalhar com projeções de inflação mais elevadas do que as divulgadas pela autoridade monetária e que a instituição segue avaliando diferentes estratégias para calibrar a política monetária, sempre com base no conjunto dos dados da economia. (As informações são do Valor Econômico)
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