Domingo, 16 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 14 de agosto de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegará à eleição de 2026 com candidatos petistas ao governo em 12 unidades da Federação, o menor número em todos os ciclos presidenciais com ele à frente desde 1994. Neste ano, o PT voltou a abrir mão de uma característica histórica, a presença ampla de nomes próprios nas disputas estaduais, e ampliou os palanques com candidatos aliados, inclusive de siglas do Centrão, como PSD e União Brasil. Para aliados de Lula, a estratégia busca atrair alas regionais desses partidos e reduzir o apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O número é inferior ao de 2022, quando o PT lançou 13 candidaturas próprias, e representa menos da metade das 25 apresentadas em 2002. Na reeleição de Lula, em 2006, foram 18 disputas estaduais. Antes de chegar ao Planalto, o partido lançou candidatos em 19 unidades da Federação em 1994 e 16 em 1998, eleições vencidas por adversários de Lula.
Para especialistas, a configuração atual reflete um cálculo eleitoral reforçado pela polarização. Onde o PT não tem um nome competitivo, abre espaço para aliados capazes de fortalecer o palanque presidencial. No entorno de Lula, os acordos são considerados “pragmáticos” e têm dois objetivos: conquistar lideranças regionais e alas partidárias, mesmo sem adesão das cúpulas nacionais, e reduzir o espaço de Flávio nos Estados.
O mapa dos palanques de Lula ficou praticamente definido após o encerramento das convenções partidárias, em 5 de agosto. A última definição ocorreu em Minas Gerais, onde o PT escolheu o ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias para disputar o governo, após articulações frustradas que terminaram com a recusa do senador Rodrigo Pacheco (PSB).
O PT encabeçará chapas em Minas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, São Paulo e Distrito Federal.
A construção do mapa exigiu concessões. O PSD comandará os palanques de Lula no Rio de Janeiro, Amazonas, Sergipe e Tocantins. No Amapá e na Paraíba, o petista estará ao lado de candidatos do União Brasil e do PP, respectivamente. No Pará e em Alagoas, contará com nomes do MDB.
O vice-líder do governo Lula no Congresso, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que a redução das candidaturas próprias não representa fraqueza, mas uma estratégia para ampliar a base eleitoral do presidente. “Não vejo problema nessas alianças. Temos que rachar esses partidos.”
O professor de Ciência Política da USP Sérgio Simoni Jr. classificou o movimento como uma “adesão fragmentada”, na qual lideranças regionais ou grupos minoritários apoiam Lula sem o aval das direções nacionais. Assim, o presidente amplia sua rede de palanques sem depender da adesão formal dos partidos.
Integrantes da campanha petista ouvidos pelo Estadão afirmaram que Lula também busca aproveitar o afastamento entre Flávio e os presidentes do União Brasil, Antonio Rueda, e do PP, Ciro Nogueira. As duas siglas integram a federação União Progressista, cuja aliança com Flávio era considerada provável no início do ano. Os partidos, porém, optaram pela neutralidade na disputa presidencial.
A relação entre Flávio e Nogueira se deteriorou após os desdobramentos do caso Banco Master. Dirigentes do PP também demonstram insatisfação com a falta de manifestação pública de solidariedade do senador. No União Brasil, houve críticas ao custo político de apoiar Flávio após a divulgação de áudios nos quais ele pede recursos a Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Para o cientista político Vinícius Alves, professor do IDPSP, o PT tende a abrir mão da cabeça de chapa quando encontra uma liderança competitiva, disposta a apoiar Lula e capaz de superar resistências internas. Onde isso não ocorre, lança nome próprio para sustentar a campanha presidencial. “Em um momento histórico em que eleições presidenciais têm sido decididas por uma diferença muito estreita de votos, esse cálculo pode fazer sentido”, disse.
A lógica também é defendida pelo vice-líder do governo na Câmara, Rogério Correia (PT-MG). “Os palanques estão sendo organizados com uma estratégia definida conforme as particularidades de cada Estado”, afirmou.
Além do Centrão, o PT fez alianças com siglas historicamente próximas, como PSB e PDT, que comandarão palanques de Lula no Acre, Pernambuco, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No Estado gaúcho, será a primeira vez, desde a redemocratização, que o PT não lançará candidato próprio ao governo. (Com informações de O Estado de S. Paulo)
Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!