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Política Ronaldo Caiado cita “ministeriáveis” para reforçar seu discurso de experiência administrativa, ao sugerir personalidades de prestígio que levaria para a Esplanada

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PSD apresenta Ronaldo Caiado como candidato a presidente da República em convenção em SP. (Foto: Divulgação/PSD)

O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, tem sondado nomes de prestígio para anunciar ao longo da campanha como integrantes de um eventual ministério. Ele admitiu nesta semana que a estratégia busca dar peso ao projeto político, que ainda patina nas pesquisas, e reforçar seu discurso de experiência administrativa. O ex-governador de Goiás já citou ao menos três nomes que gostaria de ter na equipe, sem, inicialmente, combinar com os envolvidos.

Na segunda-feira, Caiado anunciou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública e convidar para comandá-lo o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), conhecido por investigar o PCC.

Caiado admitiu que não havia conversado com Gakiya, que não tem histórico de participação em campanhas políticas e, num primeiro momento, recusou-se a comentar o convite. Depois, o ex-governador procurou o promotor.

“Ele me ligou logo depois, pediu desculpas por não ter ligado antes, mas reforçou o convite”, contou Gakiya ao jornal O Globo. O promotor disse ter agradecido e afirmado estar honrado, mas explicou que não pode aceitar neste momento. Para assumir, teria de pedir exoneração do MP após 35 anos de serviço e perder o direito à aposentadoria. Ele só completa tempo e idade em dezembro de 2026 e, enquanto estiver na ativa, não pode exercer atividade político-partidária.

Como o mandato do presidente eleito em outubro começará em janeiro de 2027, Caiado argumenta que a posição de Gakiya não é exatamente uma “recusa”. Os dois, porém, divergem sobre a classificação de facções como PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas. Caiado defende uma “Lei do Terrorismo Doméstico”, com aumento de penas para envolvidos com o crime organizado e maior atuação federal nos estados. Gakiya já avaliou que a recente decisão dos EUA nesse sentido pode não ter eficácia.

Nesta semana, o presidente do PSD e candidato a vice de Caiado, Gilberto Kassab, também indicou três nomes para um eventual governo: Arminio Fraga, ex-diretor do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso, para a Fazenda; o diplomata Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), para o Itamaraty; e Guilherme Afif Domingos, ex-vice-governador de São Paulo e atual secretário estadual de Projetos Estratégicos, para o Empreendedorismo, pasta que ocupou na gestão de Dilma Rousseff (PT).

Afif e Azevêdo já estão próximos da campanha. O primeiro é filiado ao PSD, enquanto o segundo foi anunciado como coordenador da área de relações exteriores no plano de governo. Arminio não tem vínculo formal com a candidatura, mas apoiou a pré-candidatura do governador gaúcho Eduardo Leite, derrotado por Caiado na disputa pela cabeça da chapa do PSD.

Caiado afirma que tem “consultado com mais frequência” Arminio sobre a situação econômica, especialmente contas públicas, endividamento das famílias e a taxa básica de juros, que classifica como “agiotagem”. “Até o momento, ele não respondeu se assumiria (a Fazenda), mas me deu total liberdade para que eu formulasse todas as demandas e esclarecesse todas as dúvidas”, afirmou o candidato durante um fórum liberal em São Paulo.

Procurado pelo O Globo, Arminio evitou comentar as tratativas: “Fico contente que gostaram das minhas ideias. O quadro geral é preocupante.”

Assim como Gakiya, o economista não tem atividade partidária explícita, mas mantém histórico de proximidade com o PSDB. Em 2014, assessorou Aécio Neves (PSDB-MG) na disputa contra a reeleição de Dilma Rousseff. Em 2022, apoiou Simone Tebet (MDB) no primeiro turno e declarou voto em Lula no segundo, embora seja crítico da política econômica do petista.

Caiado promete fazer outros anúncios “aos poucos” para informar os eleitores sobre seus planos. “Tenho a liberdade de dizer quais são as pessoas que são referência para mim naquelas áreas. Então, qual o problema?”, afirmou.

— Veja os auxiliares dos sonhos de Caiado:

Arminio Fraga

Crítico da política fiscal de Lula, apesar de tê-lo apoiado no segundo turno de 2022, o ex-presidente do BC é citado por Caiado para reforçar a defesa do controle dos gastos públicos. O economista apoiou a pré-candidatura de Eduardo Leite, preterido pelo PSD.

Roberto Azevêdo

Ex-diretor-geral da OMC e atualmente ligado à iniciativa privada, já colabora com a equipe de Caiado e foi anunciado como responsável pelos trechos sobre diplomacia e comércio exterior do programa de governo.

Lincoln Gakiya

Caiado anunciou a intenção de criar uma pasta específica para a segurança pública e convidar Gakiya para comandá-la. O promotor é apontado como principal investigador da estrutura do PCC, mas o candidato admitiu que não havia conversado com ele antes do anúncio. (Com informações do jornal O Globo)

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