Segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 23 de agosto de 2026
Uma startup americana pretende colocar em órbita até 50 mil satélites equipados com espelhos para refletir a luz do Sol em áreas específicas da Terra, inclusive durante a noite. O projeto, desenvolvido pela Reflect Orbital, tem como objetivo oferecer “luz solar sob demanda” para aplicações como agricultura, geração de energia solar, obras e operações de emergência. O primeiro satélite de testes, batizado de Eärendil-1, deve ser lançado ainda este ano.
“Estamos tentando construir algo que possa substituir os combustíveis fósseis e realmente alimentar tudo”, disse Ben Nowack, diretor executivo da Reflect Orbital, em entrevista. A empresa levantou mais de US$ 28 milhões de investidores.
O projeto da startup tem como objetivo oferecer “luz solar sob demanda” para aplicações como agricultura, geração de energia solar, obras e operações de emergência. O primeiro satélite de testes, batizado de Eärendil-1, deve ser lançado ainda este ano.
A empresa recebeu autorização da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) para realizar o primeiro lançamento, mas a licença vale apenas para o satélite experimental. A implantação da constelação completa dependerá de novas aprovações dos órgãos reguladores.
Segundo a Reflect Orbital, o satélite utilizará um espelho refletor de cerca de 18 metros para redirecionar a luz solar a uma área limitada da superfície terrestre. A tecnologia não cria uma fonte artificial de luz, mas funciona como um grande espelho em órbita, refletindo a iluminação natural do Sol.
Críticas
O projeto, no entanto, tem gerado críticas entre astrônomos e ambientalistas. Especialistas afirmam que milhares de espelhos no espaço podem aumentar a poluição luminosa, prejudicar observatórios astronômicos e afetar espécies que dependem da escuridão para se orientar, como aves migratórias e insetos.
Se os animais ficassem confusos com a luz extra, poderiam se reproduzir na época errada, quando a comida é escassa, disse Martha Hotz Vitaterna, professora pesquisadora de neurobiologia na Universidade Northwestern e codiretora do Centro de Sono e Biologia Circadiana.
A American Astronomical Society (AAS) criticou a autorização concedida pela FCC e defendeu que iniciativas desse tipo sejam submetidas a avaliações ambientais mais rigorosas antes de avançarem para uma operação em larga escala.
Nas redes sociais, o plano passou a ser comparado à criação de um “segundo Sol”. A descrição, porém, é considerada exagerada. Mesmo se a tecnologia for adiante, os satélites deverão iluminar apenas áreas restritas por períodos determinados, e não transformar a noite em dia em escala global.
Iniciativas
Não é a primeira vez que alguém pensa em fazer isso. Em 1977, um engenheiro de foguetes nascido na Alemanha, Krafft A. Ehricke, propôs espelhos espaciais para prevenir o congelamento de plantações e iluminar áreas atingidas por desastres. E em 1993, um satélite russo carregando um espelho de cerca de 24 metros de largura refletiu brevemente um feixe estreito de luz solar pelo planeta como parte de um experimento para estender as horas de luz do dia na Sibéria Ártica. (As informações são da Folha de S. Paulo e O Globo)
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