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Eleições 2026 Estados decisivos podem encerrar eleição no primeiro turno e impor desafios a Lula e Flávio

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O impacto para a eleição presidencial está relacionado à mobilização dos eleitores.

Foto: Reprodução
O impacto para a eleição presidencial está relacionado à mobilização dos eleitores. (Foto: Reprodução)

As eleições para os governos estaduais em importantes colégios eleitorais brasileiros podem ser definidas já no primeiro turno, criando um novo desafio para as campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O cenário é especialmente relevante porque, caso as disputas estaduais terminem em 4 de outubro, uma parcela significativa dos eleitores poderá retornar às urnas no segundo turno apenas para escolher o presidente.

Levantamento publicado pela revista Veja aponta que São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Ceará estão entre os estados onde existe possibilidade de definição da disputa pelo governo estadual já na primeira votação. Juntos, esses estados representam uma parcela expressiva do eleitorado nacional.

A situação é particularmente importante em São Paulo, que concentra cerca de 21,5% dos eleitores brasileiros. Uma pesquisa do Paraná Pesquisas divulgada recentemente mostrou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 50% das intenções de voto para o governo estadual, contra 33,8% do ex-ministro Fernando Haddad (PT).

Se a eleição paulista for efetivamente resolvida no primeiro turno, Lula poderá enfrentar dificuldades para manter uma estrutura política ativa no maior colégio eleitoral do país durante a segunda etapa da disputa presidencial. Tarcísio, que apoia Flávio Bolsonaro, também teria mais liberdade para atuar na campanha nacional.

A situação se repete, com características diferentes, em estados do Nordeste. Lula mantém vantagem histórica na região, mas algumas das principais disputas estaduais podem ser encerradas na primeira rodada.

Na Bahia, por exemplo, ACM Neto (União Brasil) aparece à frente do governador Jerônimo Rodrigues (PT) em levantamento do Paraná Pesquisas. O ex-prefeito de Salvador registra 50,9% das intenções de voto, contra 40% do petista.

No Ceará, a disputa entre o governador Elmano de Freitas (PT) e o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) também chama atenção. O Datafolha apontou Ciro com 52% contra 33% de Elmano, embora outro levantamento, do Real Time Big Data, tenha indicado posteriormente um cenário de empate técnico.

Em Pernambuco, a disputa também pode terminar sem segundo turno, dependendo da evolução dos candidatos nas próximas semanas.

O impacto para a eleição presidencial está relacionado à mobilização dos eleitores. Quando a disputa pelo governo estadual é resolvida na primeira votação, os candidatos derrotados deixam de ter uma campanha própria no segundo turno. Com isso, as estruturas partidárias e os palanques estaduais podem perder força justamente no período decisivo da corrida presidencial.

Segundo análise publicada pela Veja, cerca de 57,6% dos eleitores brasileiros poderão ter de voltar às urnas no segundo turno apenas para escolher o presidente, caso as disputas estaduais se encerrem antecipadamente nos principais estados.

A situação exige que as campanhas de Lula e Flávio criem estratégias próprias de mobilização para evitar aumento da abstenção. Historicamente, a participação dos eleitores costuma cair entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais.

O desafio é maior porque os dois principais candidatos apresentam rejeições elevadas e disputam um eleitorado polarizado. Pesquisa BTG/Nexus divulgada em agosto apontou Lula e Flávio tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, com 47% e 44%, respectivamente.

Além de São Paulo e dos estados nordestinos, o Rio de Janeiro também tem peso significativo. O estado possui um eleitorado numeroso e conta com uma disputa estadual que pode ser definida na primeira votação.

Os resultados das eleições para governador, portanto, podem interferir não apenas na formação das bancadas e nos palanques regionais, mas também na capacidade das campanhas presidenciais de mobilizar eleitores no momento decisivo da eleição.

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