Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 24 de agosto de 2026
O levantamento ouviu cerca de 1.500 escolas particulares de oito Estados brasileiros entre junho e agosto.
Foto: DivulgaçãoAs famílias que mantêm filhos em escolas particulares devem enfrentar reajustes entre 7% e 11% nas mensalidades em 2027. Uma pesquisa realizada pela consultoria Meira Fernandes, especializada em gestão educacional, aponta que a maior parte das instituições consultadas pretende elevar os valores cobrados no próximo ano.
O levantamento ouviu cerca de 1.500 escolas particulares de oito Estados brasileiros entre junho e agosto. As instituições pesquisadas reúnem aproximadamente 120 mil alunos.
De acordo com os dados, 98,9% das escolas afirmaram que pretendem reajustar as mensalidades para o próximo ano. Entre elas, 80,66% projetam aumentos entre 7% e 11%.
Dentro desse grupo, 44,2% das instituições estimam reajustes entre 9% e 11%, enquanto outras 36,46% planejam aumentos entre 7% e 9%. Uma parcela menor, de 11,60%, prevê correções entre 1% e 7%.
Também existem casos de reajustes acima desse intervalo. Segundo o levantamento, 7,18% das escolas consultadas consideram aumentos superiores a 12%. Apenas 0,5% das instituições não pretendem alterar os valores cobrados em 2027.
O reajuste projetado ocorre em meio a uma série de pressões sobre os custos das instituições privadas de ensino. Entre os fatores citados estão despesas com pessoal, educação inclusiva, contratação de profissionais especializados, segurança digital e aumento da inadimplência.
Mais da metade das escolas pesquisadas, 51,93%, registrou atrasos nos pagamentos correspondentes a entre 2% e 5% da receita mensal no primeiro semestre deste ano. O percentual representa aumento em relação ao mesmo período de 2025, quando 46,59% das instituições relataram esse nível de atraso.
A inadimplência preocupa especialmente porque o início do ano letivo concentra despesas importantes para as escolas, como pagamento de 13º salário, férias, encargos trabalhistas, aquisição de materiais e preparação das unidades.
Outro fator que pressiona os custos é a necessidade de ampliar investimentos em educação inclusiva. A pesquisa aponta que 35,9% das escolas mencionaram essa área entre os principais motivos para a elevação das despesas. A contratação de profissionais especializados foi citada por 16%.
A rotatividade de funcionários também aparece entre os fatores que pesam no orçamento. Segundo o levantamento, 28,8% das instituições tiveram despesas maiores relacionadas a demissões, novas contratações e treinamento de trabalhadores.
Além disso, algumas escolas relatam gastos adicionais com adequação de documentos, treinamento de equipes, comunicação com as famílias, combate ao cyberbullying e proteção de dados.
A consultoria ressalta que os percentuais representam uma estimativa e que os reajustes podem variar de acordo com cada instituição. A legislação permite que as escolas particulares reajustem a mensalidade uma vez por ano e exige que os responsáveis sejam informados com antecedência.
As instituições também devem apresentar uma planilha detalhando os custos que justificam o novo valor da anuidade. A definição do percentual, portanto, não é determinada automaticamente por um índice oficial de inflação.
Para as famílias, o aumento pode representar uma pressão adicional no orçamento, especialmente para aquelas que possuem mais de um filho matriculado em instituições particulares. A diferença entre o reajuste escolar e os índices gerais de inflação também pode gerar dificuldades de planejamento para o próximo ano.
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